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Diálogo*

Marcelo Seráfico


O texto de Alcimar disseca nossas urbanas- feridas. Produzidas pela ação de necrocratas, termo que sintetiza a racionalidade dominante e predominante, não parece haver sinal de cura vindo da razão dos que a possuem brutalmente e mandam gananciosamente.

A cura cai dos céus enquanto os céus não caem sobre nós, no que seria a solução final para a barbárie do capital.

Solução injusta, pois não cabe responsabilidade pela devastação a quem sequer dela se beneficia... Se é que roubar, tirar, matar, ferir e destruir, como disse o maestro Adelson, beneficia alguém.

Hoje, os paraísos dos necrocratas são ilhas e cidades tornadas balneários para quem pode pagar.

Acumulam aqui e usufruem ali. E amanhã?

Hoje sonham com a vastidão da galáxia. A utopia dos que põem os céus abaixo é o presente reproduzido no espaço sideral.

E a dos que ainda vemos a luz das estrelas e cremos possível nadar nas águas dos rios, agora anêmicos?

A Manaus cosmopolita, que essa modernidade dos necrocratas insiste em negar e eliminar, é o futuro possível de uma realidade da qual nossa espécie participe.


José Alcimar de Oliveira


Obrigado, Marcelo. Volta a pergunta: o que fazer? O que fazer coletivamente para romper o sono da razão, ou da racionalidade insana dos agentes da morte (necrocratas)? Penso que teríamos que começar pela organização de uma grande pergunta coletiva, sobretudo quando a doença naturalizou-se como forma de vida.


Hermínio Bernasconi Jr.


O que fazer? só nos tornarmos crianças outra vez.


__________________________________________________________________________________*Texto do filósofo e professor José Alcimar de Oliveira, postado neste espaço dia 24 último suscitou esse troca de mensagens.

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