Desprezíveis e isolados

Algumas pessoas ostentam indisfarçável incômodo, quando se diz da caminhada do Brasil em direção ao passado. Mesmo desprezando os números de nossa economia, não é senão de volta à barbárie o rumo que estamos seguindo. Não se trata apenas dos maus modos como se comporta o Presidente da República, a que não se acostumaram nem seus superiores nas Formas Armadas. A exclusão dos quadros castrenses, no entanto, não bastou para afastá-los definitivamente. Ideologia semelhante, propósitos compartilhados puseram-nos novamente lado a lado, ombreando-se em guerra de nenhum modo e por motivo algum desejado pela população. O fato é como aí está. Diariamente encontramos razões para ratificar o juízo que se generaliza em todas as camadas da população, excetuados os que, fanatizados e humilhados, preferem demonstrar quanto a síndrome de Estocolmo prospera entre nós. Houve momento em que se esperava o ingresso do País no grupo das mais importantes nações do Mundo. Nos últimos dois anos, porém, andamos como caranguejos. Menos pela lama derramada em toda parte, ainda quando a linguagem chula e a grosseria ocupavam e exalavam das mesas mais destacadas de reuniões oficiais. Não contente com essas desprezíveis manifestações de desrespeito à república, à democracia e ao Estado de Direito, achou o governo de mostrar às demais nações quanto é possível renunciar ao papel que o Brasil vinha desempenhando e poderia desempenhar no Planeta tornado uma aldeia global. Qual nada! Substituindo a reverência à bandeira de outros países e a subserviência aos seus respectivos governantes, mostramo-nos grosseiros como não chega a ser qualquer dos brasileiros mais miseráveis, em ambiente que não lhes é tão familiar. Não seríamos ingênuos ao ponto de imaginar que os ambientes familiares são todos iguais. Nem isso seria algo desejável, tão diversas nossa origens, tão desiguais nossas condições materiais de vida. Nada disso autorizaria, contudo, os maus modos exibidos pelos membros da comitiva que, a pretexto de trazer um spray nasal de Israel, foram conhecidos nos quatro cantos do Mundo. Ainda que divergentes quanto aos objetivos do governo, a nenhum dos brasileiros agrada ser conhecido como membro de uma comunidade tão grosseira, desrespeitosa e odienta, retrato oferecido à perplexidade e ao desprezo internacionais. Não foi outra a imagem do Brasil, projetada por quem tinha razões para apresentar-se como representante oficial do Estado brasileiro. Mais uma prova de quanto avançamos na destruição de laços de que até então não nos envergonhávamos. Nem acredito que ainda sejam mais de 57 milhões os brasileiros felizes com o isolamento a que temos sido levados.

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