Desespero é risco


Nos últimos dias, varreram o Planeta informações sobre os estudos que nos trarão a vacina anti-covid 19. As equipes empenhadas nas pesquisas e testes trabalham arduamente em várias partes do Mundo, sendo as mais avançadas a de Oxford, onde os cientistas da importante Universidade juntam-se a colegas do laboratório Astra-Zeneca; na China, em Tianjin, a empresa Cansino Biologics; a Bio N Tech, em Mainz, Alemanha, associada à indústria farmacêutica Pfizer; e nos Estados Unidos da América do Norte, a Moderna, com a Universidade de Cambridge e o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas, de Bethesda, Maryland. O Butantan associou-se à chinesa SinoVac e começou a fazer o teste em humanos. De todas essas instituições vem a auspiciosa notícia. Pelo que trazem de esperança, todavia, essas informações também geram reações indesejáveis. As reações por elas produzidas não podem ignorar a nocividade que o entusiasmo exagerado e a desatenção nos cuidados recomendados acarretam. Deixar-se levar por leviana euforia nenhum bom resultado trará, principalmente se registrada como consequência conduta negligente quanto às medidas de proteção contra a pandemia.

Especialistas em todo o Mundo têm-se manifestado sobre o avanço dos estudos e pesquisas, onde quer que estejam sendo realizados. Há, ao que parece, certa unanimidade quanto à rapidez com que a vacina chegará. Todos ressaltam o caráter processual da busca da imunização, o que equivale dizer do compromisso das autoridades de qualquer país com a Ciência. A rapidez, neste caso, tem a ver com pesquisas que há muito tempo e em caráter permanente vêm sendo conduzidas mundo afora.

É relevante considerar o que afirmou o cientista Daniel Altmann, do Imperial College, de Londres. Falando da necessidade de “identificação de correlatos imunológicos de proteção” nas vacinas agora testadas, disse ele: ”Nós precisamos desesperadamente disso”.

Se até um pesquisador integrante de respeitada instituição do Reino Unido fala em desespero, como ignorar quanto isso pode afetar a reações das pessoas comuns?

Os efeitos do desespero, não menos que atestado cabal da desesperança, devem ser a todo custo evitados. A certeza de que há profissionais competentes e bem orientados em respeitáveis laboratórios, empenhados na busca da vacina, mostra a presença da esperança. Sem esta, para o ser humano todos os dias serão iguais, porque da esperança é que o sonho se alimenta. Sem sonho, impossível sequer falar em ser humano. A esperança, quando ignora as circunstâncias de que falou Ortega y Gasset, não é mais que subproduto da ignorância. Sendo assim, qualquer gesto ou ato ou decisão hostil à Ciência também mata a esperança. O desespero, saindo vencedor, derrota a Ciência também. Arrisco dizer: reduzindo a nada a própria condição humana.

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