Demagogia e endividamento

A maioria dos brasileiros ainda não terá esquecido: a derrubada de Dilma Rousseff traria benefícios à população. Depois, as alterações na legislação trabalhista concorreriam para a oferta abundante de empregos. A exclusão de dispositivos que tornavam menos explorados os trabalhadores seria compensada pela oportunidade de trabalho para todos. Os números do desemprego, alheios à demagogia, negam-se até hoje a dar veracidade à promessa. A liberação do FGTS moveria o sistema produtivo e responderia pelo incremento no PIB. Não é disso que nos falam os números mais recentes. Enquanto o nível de endividamento das famílias cresce, as previsões deixam pouca margem a comemorações. Paulo Guedes e seus acólitos e incensadores tramam novas medidas. Sempre de costas voltadas para o cenário nacional e mundial. As rusgas entre a China e os Estados Unidos da América do Norte parecem não existir. Os efeitos da pandemia em curso justificam apenas a criação de comissões e grupos, como tem sido ao longo da História do País, sempre que não se sabe como lidar com as novidades. Cada novidade serve apenas para engendrar situações de maior aflição, mesmo se nada de novo revista as decisões. Não pode ser vista de outro modo a mais demagógica e populista das ações prometidas. Já foi anunciada para antes de julho a liberação do correspondente à metade do salário, a título de adiantamento do 13°. Mais grave, a providência vem atrelada à promessa de concessão de empréstimos consignados a juros menores, atrativos - diz a banca. Ou seja, o trabalhador verá ampliado o assédio comercial patrocinado pelo próprio governo, quando a riqueza acumulada por ínfima parcela da população não encontra meio mais fácil de gerar rendimentos. Não encontrando ambiente propício aos investimentos produtivos (nem é este seu compromisso), nada melhor que ter o dinheiro aplicado em negócio com alto rendimento, ainda mais com o governo retendo a parte do credor, via consignação. E as famílias que continuem se endividando...

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