Deixemos de firulas

Perde tempo quem se dá à análise da dicotomia vida X economia. A pobreza de argumentos é a mesma que sustenta pretextos, quando não deslavadas mentiras. Inexiste o dilema, simplesmente porque sem o homem não há que falar em economia. É como se falar da árvore tolerasse abandonar o estudo de sua semente. É preciso compreender, todavia, o histórico da ciência econômica. De como e porque ela surgiu, até o ponto em que muitos dos seus melhores especialistas concluíram: é a ciência que trata da carência. É exatamente na falta que a inteligência e a criatividade dos homens mostram seu talento. A abundância sempre leva à dissipação. Há nações em que o sentimento de coletividade supera o de individualidade, pelo menos no ambiente mais amplo da sociedade. Se pretendêssemos dar algum tônus jurídico, lembraríamos o que diziam os antigos romanos - o meu direito acaba onde começa o direito do outro. É o outro, portanto, que incomoda os egoístas, aqueles que se aboletam e protegem em seus luxuosos carros, para exigir que seus inimigos (por escolha deles, os ricos) voltem a verter seu suor em benefício das contas bancárias que permitem trocar de carro a cada semestre. Tudo quanto se diga sobre a única e firme motivação das carreatas promovidas com o objetivo de romper a proteção dos que estão em casa, chegará a um só ponto: não podem continuar perdendo. Porque, mais fácil que trazer mensagens em estandartes, faixas e discursos, é experimentar a realidade vivida: perdem mais, nos momentos em que a natureza por eles explorada se manifesta em desacordo, os que mais sempre ganharam. Não é da paralisação da economia que eles reclamam, mas de não poderem continuar acumulando à farta. Deixem de firulas e digam as coisa às claras.

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