DEFENDER A DEMOCRACIA É DEFENDER A VIDA


Estamos numa situação de proteção da vida. Muita gente diz que é hora de deixar a política de lado e fazer uma grande união de combate à pandemia. Pois bem. Não sei qual seria a linha de limite entre política e vida. Não preciso ir longe para exemplificar esta questão.

O que determina o percentual em saúde é a constituição, mas o investimento é feito através de políticas públicas, que dependem da vontade política do governante.

Quando um governo congela o investimento em saúde por vinte anos está decidindo politicamente que o povo ficará mais vulnerável com o sucateamento do Sistema Único de Saúde.

Quero dizer e mostrar que política e preservação da vida numa sociedade caminham juntos.

Neste sentido, não me estranha que fanáticos bolsonaristas saiam às ruas para protestar contra a democracia. Eles seguem a linha política de destruição da vida. É a política da morte, tal qual a política de sucateamento da saúde pública. Não sabem os idiotas que os ricos estão protegidos pela saúde privada, têm planos de saúde. Não sabem os idiotas que o SUS é um dos maiores sistemas de saúde pública do mundo, com suas falhas e tudo. Nesta pandemia qualquer desinformado ou ingênuo está vendo o povo pobre dos Estados Unidos morrer. Lá não existe SUS.

A defesa criminosa do fim da democracia é uma posição a favor da morte do povo necessitado. Nesta esteira política há uma intenção de destruir o serviço público, o Estado, que hoje é a única salvação do povo das periferias, favelas e morros deste país.

Não é o mercado que está atendendo os infectados pelo coronavírus. A saúde privada só atende quem tem dinheiro, muito dinheiro. Pobre precisa do SUS. Se não atende bem é porque o mercado e seus políticos têm se empenhado para destruir o sistema público de saúde.

Quem defende um outro AI-5 está defendendo o fim do Estado, da República e da Vida. Na democracia gritamos contra a opressão. Na ditadura a opressão nos arranca a voz, a dignidade e, por fim, a vida.

Lúcio Carril

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