De superpotência às bananas

Citado por Jaime Spitzcovsky (FSP, 09.01.2021), o jornalista britânico Peregrine Worsthorne discorre sobre a trajetória dos Estados Unidos da América do Norte, de 1991 até os dias que correm. Naquele ano, o país consolidava sua posição no concerto internacional. Apresentava-se ao Mundo como a nação mais rica e mais poderosa. No rastro dessa fama, a ilusão de que era o modelo de democracia a ser imposto a todas as demais nações – pela força do voto ou das armas. Faz 30 anos, o desfazimento da União Soviética teria sido (aqui a interpretação é do autor deste texto, não dos outros, os jornalistas brasileiro e o britânico)a compensação para a humilhante derrota no Vietnam. O susto causado por Ho Chi Min passara. O processo de globalização se intensificara. A acumulação capitalista se fortalecia, causando cada dia maior desigualdade. Se nem o muro de Berlim conseguiu resistir, menos ainda poderiam resistir as estátuas em que o culto à personalidade se sustentava. Nas três décadas, uma onda direitista de forte inspiração fascista varreu os continentes. Enquanto os governantes de muitos países deram ouvidos ao ilusório american dream e perseguiram implantar em seus próprios países o american way of life, preparava-se nos centros de poder a repetição do holocausto. Desta vez, não restrita aos judeus, mas estendida a outros segmentos da população, e em escala mundial. Negros, latinos, quilombolas, indígenas, outras comunidades perseguidas pelos poderosos , a despeito de mais numerosos que os milhões de judeus sacrificados, teriam como ser eliminados mais facilmente do Planeta. Às vezes, sem o uso de armas convencionais, que para isso há processos menos perceptíveis, como a fome, o desmatamento, a desertificação, o controle das águas, o desemprego, a tortura psicológica. A morte por arma de fogo, ainda julgada necessária, em comparação aos outros processos seria mera exceção. A comandar esse novo tipo de guerra santa, em que aos manuais de treinamento bélico se tem juntado a Bíblia, a nação mais poderosa do Mundo. A mesma que agora busca anular o aprendizado a que se acostumou a nova aspirante ao controle do Mundo. Porque bem aprendeu, a China assusta. Ontem disse-se dela ser um tigre de papel. Hoje, os que a ensinaram e choram porque o aluno saiu melhor que o mestre, comportam-se como gatinhos de madame. E miam, miam, miam, sem que seu insistente e débil ronronar sirva mais que para revela-los bananeiros como os outros a que dedicavam desprezo e arrogância

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