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De símbolo à prática

Um dos fenômenos sociais que mais me têm instigado nos últimos anos refere-se ao que os norte-americanos chamam assassinato em massa. Consiste ele naquilo que aqui chamamos chacina. Lá, em geral, são praticados pelos chamados serial-killers, que não vejo se não como resultado de uma cultura que dá valor à violência, mais que ao argumento. Se, no território dos Estados Unidos da América do Norte esse é fenômeno majoritariamente provocado por lobos solitários (é assim que os chamam, lá), aqui os agentes são os mais variados possíveis. Podem ser milícias que controlam extensas áreas urbanas, como podem ser prepostos dos chefões da droga, não sendo raras as ocorrências atribuídas mesmo a agentes públicos. As polícias militares e alguns setores da polícia civil não estão excluídas desse trágico rol. Durante muito tempo, identificavam-se naquele País certas consequências das guerras, produtoras além das milhares de jovens norte-americanos mortos, sequelados portadores de traumas adquiridos nas aventuras bélicas em que sua pátria esteve envolvida. É como se, sempre disposto a invadir território estrangeiro, às vezes com a concordância, a convocação ou a cumplicidade dos países receptores, o governo norte-americano (democratas e republicanos, sem discriminações quanto a isso) levasse valores e costumes cultuados internamente a outras regiões da Terra. Não se fala, agora e aqui, apenas dos conflitos bélicos promovidos, estimulados e muitas vezes impostos pelos Estados Unidos da América do Norte. É mais que isso, do que tratamos agora. A forma violenta com que a elite norte-americana deseja mandar no Mundo faz-se acompanhar também dos valores professados dentro do País, um deles referente às supostas vantagens sacras do uso de armas. A facilidade com que se produzem e comercializam armas e a própria dinâmica dos negócios capitalista exige o crescimento permanente da demanda desses artefatos assassinos. Daí vêm as guerras, daí vindo também o estímulo a outras nações, para que armem os potenciais compradores da indústria bélica norte-americana. Quando leio no noticiário a repetição de assassinatos em massa praticados no Brasil, é como se estivesse vendo coberta de êxito a grande missão a um só tempo evangelizadora e civilizatória daquela nação que se pretende a gendarmeria do Mundo. Não é por acaso que, entre nós, a mão pretensamente humana simulando um revólver ganha status de símbolo eleitoral. Do simbolismo à prática recorrente, menos de um passo é necessário. Como temos testemunhado.

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