De jurista e de louco

Dizem a sabedoria e a mordacidade populares que de médico e de louco, todos temos um pouco. A expressão tenta explicar certa tendência de pretendermos substituir a ciência própria dos que estudaram Medicina e sairmos prescrevendo remédios sabe lá para quantos males. Pior para os enfermos que por sua ignorância consagram a conduta assemelhada aos dos afetados por sofrimento mental, seja qual for. Quando vivemos tempos obscuros e até a forma da Terra é posta em questão sem nada que o explique, a outorga do título profissional afeta outras áreas do conhecimento. Com o mais grave dos efeitos consistindo em tosca falsificação. Esta, igualmente como falsificação e atributo deste tempo de que se fala.

A loucura, portanto, espraia-se por todos os setores e atividades, porque para isso até se achou um rótulo (dito em língua estrangeira, para angariar mais crédito):fake-news. É sabido desde muito tempo quanto o leigo atribui jurisconsultoria aos apenas alfabetizados. Basta saber ler e ter diante dos olhos uma Constituição, uma lei, um decreto, uma portaria, para qualquer um julgar-se magistrado à altura de aplicar a norma à ralidade das relações entre titulares de direito. É a isso que assistimos, neste Brasil de um 2020 inesquecível. Pelo que presta e pelo que não presta, não sei qual das duas categorias a de maior peso. De um lado, os efeitos de uma tragédia sanitária; de outro, uma tragédia multifacetada. Tanto podem-se encontrar sábios em Medicina que confundem Hipócrates com hipócritas, quanto intérpretes da Constituição incapazes de entender o que leem em uma nota de coluna social. Por isso, a desnecessária discussão sobre o exercício de poder inexistente na Carta Magna de 1988. O artigo 142 diz tudo, mas até se pode admiti-lo lacunoso. Pelo menos, para fins de argumentação. Aí, entra a necessidade da interpretação sistemática, que o visitante leitor deste texto poderá encontrar a bordo desta mesma nau. Só precisa ir à seção ESPAÇO ABERTO. Lá, assinada por Orlando Sampaio Silva, poderá aprender algo a respeito. Basta despir-se de interesse estranho à preocupação com a democracia e o Estado de Direito. Ah, também é preciso optar pelo conhecimento, não pela ignorância.

0 visualização

Arquitetado e Produzido por WebDesk. Para mais informações acesse: wbdsk.com

Todos os Direitos Reservados | Propriedade Intelectual de José Seráfico.