De espaço, comunidade e servidão
- Professor Seráfico

- 13 de ago. de 2025
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Conceito fundamental à manutenção da Paz no Mundo, o direito de autodeterminação dos povos nunca foi tão vilipendiado quanto hoje. Talvez estejamos testemunhando, em pleno século XXI, a mesma realidade que a derrubada da Constituição de Weimar determinou. A luta pelo espaço vital, como o concebia o cabo austríaco Adolph Hitler, volta à cena, intranquilizando a sociedade humana, onde quer que se encontre algum dos animais ditos superiores. Não bastassem as relações sociais ofensivas dos direitos que a ONU declara essenciais à vida e à felicidade dos seres humanos, a tecnologia avança e produz formas sutis - mas nem por isso menos deletérias - de domínio de uns pelos outros povos. No momento particular em que estamos, o império resultante da desigualdade por ele mesmo gerada usa os avanços tecnológicos para exigir a submissão dos povos em que veem condições de satisfazer o apetite do imperador. Daí a oportunidade que se apresenta, à menor ameaça ao domínio exercido sobre as nações, sobretudo as que detêm riquezas escassas no território da própria metrópole. Esse o sentido da lei Magnitsky, instrumento de que se vem valendo o governo dos Estados Unidos da América do Norte, onde ache o governante do império em declínio, existirem aquelas riquezas. Assim, a produção legislativa de lá é a que deve ser obedecida e outras nações, transformadas em estados ou províncias do pretenso império. É impossível afirmar a fortaleza da Organização das Nações Unidas, tantas as vezes em que suas recomendações ou decisões têm sido ignoradas ou, mesmo, desafiadas. Nem por isso, deve-se silenciar, quando Donald Trump estende a vigência de leis norte-americanas aos territórios de outros países. Para tanto, seriam necessários tratados e/ou pactos que, admitidos por terceiras nações e devidamente aprovados pelos respectivos poderes constituídos, passariam a viger nos respectivos territórios. A servidão voluntária, como se a tem conceituado, é bastante conhecida, mas ainda não se manifestou de forma coletiva, a despeito de muitos indivíduos a ela se venham dedicando. Estes, porém, porque desautorizados, acabam por constituir-se em traidores de suas pátrias. Esse tipo de servidão só pode dar-se, portanto, se houver a adesão dos estados estrangeiros, pelos poderes da república assediada. Do assédio, da ameaça, da chantagem até a submissão, todavia, há todo um caminho a percorrer. Sem que isso, ao fim e ao cabo, seja diferente da traição. A menos que cheguemos à governança em escala mundial. Nesse caso, as fronteiras terão sido totalmente eliminadas. E a Terra será a casa de todos nós.

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