De algibeira

Muitos têm visto como abusiva a majoração dos vencimentos do Presidente da República e dos Ministros. Salvo a oportunidade em que tal auto-presente é registrado, não tenho como discordar da decisão. Incomoda-me, claro, a discriminação entre o pessoal do primeiro escalão e o restante dos outros servidores públicos. Estes, como se sabe, escolhidos a dedo, quando se trata de remuneração. Logo dando pretexto a que alguns mal-intencionados generalizem a injustiça e vociferem contra os mais humildes. Grande parte dos que hostilizam a massa dos servidores têm lá suas razões, a mais transparente delas dizendo respeito às vantagens de ter os cofres públicos abarrotados e sempre ao alcance de sua voracidade. Talvez afirme isso por desconhecer algum trabalho que ponha, contado na ponta do lápis, o montante de recursos públicos que concorreram e concorrem para a geração da riqueza do 1% que manda no País. Aqueles que, em plena pandemia e contados 430 mil mortos, sempre têm – e querem – mais. Não seriam dez mil reais acrescentados nos valores pagos em troca dos serviços do Presidente, dos Ministros, dos generais e de suas respectivas tropas, e de valores capazes de criar uma classe média forte e reduzindo a pobreza a quase nada, que comprometeria o orçamento nacional. Aposto que as despesas com saúde, educação, habitação, segurança etc. seriam menores, menor sendo a desigualdade de que nos fizemos campeões. Volto à defesa de vencimento maior para o Presidente da República, com os poréns necessários. O primeiro deles diz respeito ao pagamento com a remuneração daquele servidor de toda comida que entrasse no Alvorada. Outra, a proibição de regabofes não-oficiais pagos com dinheiro do contribuinte, em especial consumindo alimentos como carne de gado bovino cujo quilo equivale a 1,5 do salário mínimo. Há outras despesas que, levada a remuneração a melhor nível, se praticadas constituiriam crime de responsabilidade. Comparado ao que acumulam os premiados com o dinheiro do contribuinte, nos diversos setores da Economia, para fazerem-se nababos, os ganhos da grande maioria dos trabalhadores brasileiros cabe na algibeira. É dinheiro de ponta-de-lenço, dizem outros.

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