Dúvida e

Se dúvida ainda houver e restar alguma sensatez (ou honestidade?), os amazonenses têm mil razões para dar sua resposta. Sem perder a classe, sem usar as mesmas armas de que se valem os inimigos – do Estado, da Região e das gentes que a povoam. Já não me refiro apenas ao propósito malsão de excluir as vantagens desfrutadas pelos que usam as atividades econômicas que o lugar oferece, quando ainda não se tem algo que possa compensar as perdas. Imediatas, a agravar o panorama de desemprego crescente imposto ao País. Pior, quando se observa que as dificuldades criadas não resultarão sequer no aumento da probabilidade de outras regiões serem direta e imediatamente beneficiadas. Porque os olhos dos que nos (des) governam não estão postos nas vicissitudes enfrentadas pela maioria pobre dos habitantes do País. A desindustrialização em marcha diz mais que milhares de gráficos e compêndios poderiam conter. Prospera, nos meios da elite brasileira e daqueles segmentos a que ela empresta apoio, multiplica aplausos e ajoelha-se em reverência, o sentimento de que é melhor enriquecer materialmente e satisfazer os mais extravagantes desejos, que sentir-se parte de uma sociedade feliz, pacífica e fraterna. Por isso, a cumplicidade com toda e qualquer ação oficial, desde que isso os ajude a alcançar os objetivos a que leva o egoísmo extremado. Dentre eles podem ser destacados os que trataram de aproveitar-se dos investimentos pesados e pagos pelo Erário, com a finalidade de conferir alguma competitividade às empresas locais. Não faltaram advertências a respeito do cenário hoje observado. Alguns desses espertalhões, arvorando-se entendidos em Amazônia, sempre descartaram ou agrediram os poucos que enxergam um palmo adiante do nariz. E sabem que o Mundo não é o espaço entre o bico de seus sapatos e a ponta do nariz. Não se descarte, porém, os que sabem mais do que sua ganância aparenta. E têm plena consciência do que fazem. Enquanto expressiva quantia destinada ao estudo das potencialidades da Amazônia era recusada, as autoridades ocupavam-se em reduzir as condições em que a floresta tropical mais rica do Planeta poderia contribuir para a solução de graves problemas, como o da fome e o da saúde, da educação, da cultura, da preservação e da exploração humana (dizer racional é pouco) do grande espaço em que vivemos. Agora, o mais alto órgão da Justiça brasileira, Supremo Tribunal Federal, vê-se forçado a desconstruir o cipoal jurídico posto a serviço da desertificação e do empobrecimento regional. Uma espécie de adjutório à matança que já cavou quase 670.000 sepulturas, campanha oprobriosa a que não esteve ausente o poder central. Por essas e por outras, só a absoluta desumanização dos bípedes ditos inteligentes levará à permanência da cumplicidade e ao apoio submisso. Eleições servem, sobretudo, para os eleitores deixarem marcados seus sentimentos, objetivos e sonhos. E, se quiserem, buscar sua realização.

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