Crise, riscos e gabinete


Lê-se e ouve-se muito falar de gabinetes de crise, aqui e acolá. Qualquer problema que fuja à rotina inspira logo a criação desses mecanismos e a geração de expectativas que não se sabe como satisfazer. Por enquanto, a reabertura das atividades econômicas, onde quer tenha ocorrido, parece não ter levado em conta os riscos que a covd-19 impõe. No Rio Grande do Sul, em uma semana as mortes cresceram 34%. No Pará, as estações hidroviárias e rodoviárias foram reabertas, quando o Estado registra 129 mortos por 100 mil habitantes. Na Bahia, 11 Municípios viram decretado o toque de recolher, no último final de semana. Em Palmas, habitantes que, por causa da pandemia não puderam ir em busca da vacinação contra outras doenças infecciosas são visitados por vacinadores. Ao que se saiba, muitos dos problemas sanitários de nossas cidades são antigos e nenhum deles pode ser negligenciado. E não porque uma pandemia nos pegou de calças curtas. Sem a consideração dos riscos prévios, acrescidos dos que a covid-19 trouxe, de que adianta gabinete, dê-se a ele o nome que se der? Resta esperar alguns dias, para saber se a louca euforia dos que se amontoaram diante dos bares do Rio de Janeiro e de outras cidades mostrou não mais que uma tendência ao suicídio.

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