Criatividade sem limite

O brasileiro comum se gaba de sua própria criatividade. Não é só no futebol que se destacam os muito criativos. Embora nem sempre a criatividade concorra para fazer-nos mais respeitados ou benquistos, o certo é que tal qualidade afeta e se espalha por quase todos os setores de nossa vida. Na política pequena a que estamos acostumados, ela prospera em níveis jamais imaginados. Se, no Parlamento os exemplos se multiplicam, nenhum dos outros poderes ditos republicanos foge à regra. Os congressistas pensam em oficializar a rachadinha. Cogitam eles, agora, tributar a remuneração se seus assessores. A arrecadação serviria para cobrir despesas que a lei atualmente proíbe. O Executivo propõe, nessa gincana de criatividade malsã, o desconto do seguro-desemprego aos que o recebem. Desempregados, muitos dos quais ditos desalentados, pagarão para criar empregos para outros desempregados. Algo que não faz rir porque é trágico. Nem o Judiciário escapa desse tipo de exercício criativo. Diga-o a absurda interpretação do que é coisa julgada. O feitiço virou contra o feiticeiro, razão suficiente para o esforço de salvar a pele. Daí é que veio o recuo, por 6 X 5 votos, ressuscitando cláusula pétrea da Constituição.

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