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CPI – um balanço algo prematuro

Ainda faltando saber da repercussão na PGR e STF das investigações promovidas pela CPI da covid-19, não custa tentar colher algumas das conclusões esperadas pelos brasileiros. Restrinjo as sugestões àqueles que têm como cumpridos deveres impostos aos onze senadores, sem que qualquer resultado apague ilícitos e denúncias que pesam contra eles mesmos. Baseio-me, portanto, no que testemunhei e no que anunciam os condutores dos trabalhos, a ser confirmado no relatório de que ainda não tenho conhecimento. Tentarei relacionar, o que me parece ter ficado claro: 1. Não é, nem poderia ter sido, unânime a posição e a orientação dos integrantes da Comissão, diante dos interesses, das motivações e do histórico de cada um, como investigadores. Melhor que seja assim, até para não concretizar o que dizia Nélson Rodrigues sobre o caráter da unanimidade. Pode ser apenas manifestação de burrice, pelo menos de alguns. 2. Jamais se poderia imaginar o ódio que se apossou de parte dos brasileiros, ocupantes de altos postos da república ou de seu entorno, acumpliciados para a prática dos crimes de que se tomou conhecimento. Muitos deles, arriscando não serem punidos, por excesso de provas. 3. Também se destacam as tentativas de dificultar as investigações, de que as confissões escondidas na recusa à informação, uma das marcas dos trabalhos, foi frequente. Aqui, o medo de ver-se denunciado foi maior que a probabilidade de haver tantas punições quanto deveriam ser aplicadas. 4. Esses mesmos réus confessos pelo silêncio acabaram por desmoralizar o próprio discurso. Ao tempo em que promoveram todo tipo de agressão aos tribunais e reivindicaram a volta da ditadura, recorreram ao alvo de seu ódio – o Supremo Tribunal Federal. Exatamente para assegurar o legítimo direito de ficar em silêncio. 5. Acusado de bacharelismo, todo aquele que exige o cumprimento da Constituição e da Lei viu transparecer sob fatídicas luzes o um vigoroso competidor. Neste caso, sob a forma de charlatanismo. Os especialistas em chicanas e os chamados “advogados de porta de xadrez” têm seus correspondentes em muitos dos que se abrigam nos Conselhos de Medicina, inclusive no federal. 6. Em nenhum momento de nossa História se terá constatado tanto esforço oficial para organizar quadrilhas, encobrir-lhes os ilícitos, proteger sob o silêncio com o sigilo e disseminar mentiras.

Por não ser nem pretender ser exaustiva, a lita acima pode ser ampliada, segundo a percepção dos observadores.

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