CPI da covid-19

1. No ginásio

No passado, ginasial era o curso que nos recebia, após aprovação em exames de admissão, encerrado o que se chamava curso primário. Ginásio, por correspondência, era o nome dado aos estabelecimentos que ministravam esse novo grau de escolaridade. Nos sanitários dessas escolas, a criatividade dos estudantes parecia exacerbar-se. Daí as paredes e portas conterem frases e quadrinhas em geral jocosas, algumas até referentes às necessidades que os alunos lá satisfaziam. Das mais conhecidas dessas trovas começava assim: neste lugar solitário/onde o orgulho se acaba...Pois, mesmo se vemos diferenças entre a sala de sessões da CPI e o sanitário de uma escola pública brasileira, naquela muitas vezes a reação do usuário é a mesma. A coragem revelada nas redes (anti)sociais e conferida a alguns pela ostentação de uma arma cede lugar a cena patética: a covardia impondo a máscara da humildade, as lágrimas prestes a banhar o rosto do lobo travestido em ovelha. Em vão, ainda bem. Onde houver uma câmera que capte sons e imagens, perde sentido a impostura praticada à sombra. Por isso, não há como os onze senadores deixarem em paz o biliardário Carlos Wizard. Não houvesse outro qualquer indício que o relacionasse ao genocídio de que é personagem influente, o sarcasmo posto no sorriso comemorativo da morte de cinco brasileiros bastaria. Mais que mil palavras, as imagens fulminam a mentira.


2. No paralelo

De tudo pode-se chamar o senador Marcos Rogério, menos de burro ou desatento. Advogado do Presidente da República e de outros membros da grei, o representante de Rondônia sabe onde mete o bedelho. Percebe inclusive novas fontes de financiamento de campanha. Quem lhe dera cheguem à CPI biliardários como Carlos Wizard! A mudez do depoente pode não produzir os resultados que o advogado oficial busca, mas permitem a ação da advocacia paralela. Se podemos chamar assim.

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