CPI como começo

Ameaças desprovidas de razão minimamente aceitáveis, conforme os objetivos desejados, desembocam na chantagem ou extorsão. Ambas, como se sabe, tipificadas na Lei Penal. A chantagem se caracteriza pela ameaça praticada contra outrem, com o objetivo de obter vantagem econômica indevida ou obriga-lo a fazer ou tolerar que se faça ou deixe de fazer alguma coisa. A extorsão (art.158 CPB) corresponde a obrigar alguém a determinado comportamento, por meio de ameaça ou violência, com a finalidade de obter vantagem econômica. A chantagem, mostra o cotidiano brasileiro, é expediente de uso reiterado. Aquela reivindicação desprovida de argumentos e razões minimamente justas têm sido substituídas pela pressão indevida, injusta e, em grande medida delinquente, para obter dos governos a decisão desejada. É recorrente esse comportamento, em especial quando os agentes econômicos desejam maiores favores do poder e dos cofres públicos. A alegação mais conhecida refere-se à iminência da redução dos postos de trabalho e, no limite e no exagero, ao fechamento de empresas. As próprias autoridades não escapam a essa conduta, quando lhes faltam virtudes políticas de cuja carência ninguém duvida. Assim se deve entender a reação do Presidente da Republica, toda vez em que seu absoluto despreparo para o exercício do cargo ao qual foi guindado por mais de 57 milhões de eleitores mostra-se mais evidente. O mais recente desses episódios registra-se agora, quando a CPI determinada pelo TST faz prever más consequências para o ocupante da Chefia do Poder Executivo. Menos, talvez, pela possibilidade de as investigações levarem ao desengavetamento de algum dos numerosos pedidos de impeachment que a receita de covardia mais cumplicidade de Rodrigo Maia fez esquecer. A esta altura, o esforço maior do Presidente da República tem a ver com a reiterada ação de membros da sua própria família, de resto meros multiplicadores das lições e exemplos recebidos de seus maiores. Chega a ser compreensível o desespero do Presidente da República, sem que a compreensão autorize ou justifique deixar tudo como está. A rigor, se os resultados da CPI do Senado não alavancarem o processo do impeachment, mesmo aplicadas as penas aos que tiverem comprovados seus crimes, isso equivalerá a outra pizza saída do forno congressual. Mais que CPIs e processos de impeachment, ajuda a disseminação do vírus e faz crescer o número de mortos a conduta presidencial, à que se junta a incursão de seus familiares e de muitos dos seguidores nas trilhas da ilicitude.

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