Covid-19, quo vadis?


De repente

saído sabe-se lá de onde

um ser que dizem

não-ser

prostra-nos estupefatos

encolhidos abestalhados

frente à sua virulência

bestial

presas de nossa própria

liberdade

sentimo-nos reduzir

à nossa pobre

miserável insignificância

nossos olhos não conseguem

fugir à imagem

aterradora:

nos caixotes de madeira

a toque de caixa feitos

matéria que logo mais

será só pó

inerte inerme abatida

adiante

um a um dos combatentes

dá sua vida em troca

da vida de tantos

e faz menor nossa mísera

onipotência

dentro dos quatro paus

acomodam-se a arrogância

o preconceito a intolerância

de que valeu o suor dos outros

derramado

por aqueles corpos

espremidos

água e sal transformados

em riqueza

de que os vermes

sequer saberão

a diferença?

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