Corações, aflições e armações

O que as armas asseguram ou pretendem conquistar? O direito de matar sem ser punido, em guerra que não tem inimigo visível? Apenas fornecer ao seu portador a coragem pessoal que lhe falta? Ou a prerrogativa de fazer privado o dinheiro que é público? Tais perguntas se impõem, diante dos fatos que somos obrigados a testemunhar, cada dia mais insolentes e audaciosos. A excludente de criminalidade para portadores de armas compradas com o dinheiro do contribuinte é meta ainda não alcançada, mas permanentemente reivindicada. A coragem de que carecem os amantes das armas só se tem conseguido impor contra os pobres, os negros, os diferentes, mas mesmo assim não consegue colheita semelhante à que serve a covid-19. Outra das armas de que se têm valido os covardes para eliminar os que lhes não seguem os passos e a insensatez. Chega-se, no entanto, ao limite dos limites, quando o superfaturamento de compra feita pelo poder público se esconde atrás da dor de toda a população e busca legitimar-se com o uso da ilicitude. Não é de outra coisa que trata a alegação do Ministro da Defesa, ao afirmar (nesse caso em defesa própria ou de seus comandados - quem sabe comandante?) que é aceitável pagar 167% mais à hidroxicloroquina adquirida pelo Exército, para combater a covid-19. Mesmo sabendo - ou fingindo que não sabe - da inocuidade da droga. A intenção (ah, se no inferno não estivessem tantos bem-intencionados!) seria a de produzir esperança para corações aflitos.

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