Convidar não ofende, diz o cronista

Ruy Castro, dos melhores cronistas destes trevosos tempos, conta uma história muito assemelhada a outra de que participei. Relembra o autor de Estrela solitária, Chega de saudade e O anjo pornográfico episódio acontecido em 1968, na cidade de Palo Alto, Califórnia. Sabendo que o famoso pianista Thelonius Monk se apresentaria em uma cidade próxima, o estudante Danny Scher arriscou convida-lo para tocar para os alunos de sua escola. Poucos acreditaram no bom resultado, de que nem o ousado estudante estava certo. Um ícone do jazz norte-americano, Thelonius foi, tocou e não recebeu mais que os agradecimentos de jovens encantados com sua arte. Pois agora, 52 anos passados, o espetáculo gravado saiu em forma de CD, com o título Palo Alto. Com memória que espero pelo menos próxima à de Ruy Castro, lembro-me da visita de Nara Leão, a Musa da bossa-nova, a Belém. Era de 1964 o ano, em seu início. A cantora estava lá, para cantar em desfile da Rodhia. Durante sua permanência na capital paraense, houve momentos em que levamos Nara a conhecer alguns pontos turísticos. Ao Lago Azul, condomínio nos arredores da cidade, levou-a grupo constituído pelos acadêmicos de Direito Antônio Jorge Abelém, Ronaldo Barata, João de Jesus Paes Loureiro, Leonildes Gomes da Silva e eu. À revelia dos companheiros, convidei Nara para cantar no porão da Faculdade de Direito, no Largo da Trindade. Fui gozado por eles, pela tola audácia de convidar a já consagrada cantora. Como Thelonius, ela foi, cantou durante quase toda a manhã de uma segunda-feira, para plateia encantada com seu canto. Mais tarde, Nara dizia ter sido aquele o melhor show dela na capital marajoara.

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