Conter arroubos

Se há um mínimo de lucidez na mente do Presidente Jair Bolsonaro, não deve ser nada confortável sua situação, diante do que ocorre no Ceará e poderá espalhar-se pelo País. Refiro-me à crise estabelecida pela Polícia Militar frente ao governo estadual daquela unidade da Federação. Há exemplos anteriores de crise igualmente configurada, como ocorreu no Espírito Santo e, há poucos dias, em Minas Gerais. A reivindicação da organização militar dos Estados por melhores salários foi enfrentada de forma diferente, mas não se chegou a uma base consistente de conduta, do que resulta a constrangedora situação do Ceará. Se, antes, à Polícia Militar era mais fácil conter a ousadia, acontecimentos envolvendo o então deputado federal e hoje Presidente da República só servem para complicar o quadro. Sabidamente um defensor dos policiais militares, a ponto de homenageá-los mesmo quando processados segundo as leis do País, Bolsonaro tem sido visto - justa ou injustamente, não cabe aqui definir - como um detonador de estímulos ao tipo de comportamento que os servidores estaduais fardados vêm adotando. Quando pretende blindar servidores públicos estaduais ou federais armados de modo a premiá-los com a extinção de ilicitude por atos relacionados ao seu dever de ofício, o que o Presidente faz, se não é uma autorização expressa, é no mínimo uma sugestão que aos beneficiários não parece recusável. Ainda é tempo de alguém - deve haver esse auxiliar, dentre tantos e experimentados que o cercam - mostrar ao Presidente da República quanto ganhariam ele, seu governo e a sociedade, se pudesse conter os arroubos próprios dos que mal chegaram à idade adulta.

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