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Construir o Mundo

Antes assunto aprendido no curso então chamado ginasial, a queda dos impérios conta agora com nosso testemunho. Nesse sentido, a História fazendo-se viva diante de nós, enquanto a visão contempla toda sorte de dor, miséria e indignidade. Do primeiro sentimento, nem todos partilhamos. Aos que sentem a dor opõem-se os que a produzem, sem conseguir esconder o prazer que os anima. A miséria, todavia, não é aquela também produzida pelos mesmos agentes que se comprazem com o sofrimento e a morte dos outros. É, sim, a miséria instalada em seus corações e mentes, carência traduzida na escassez de valores morais minimamente identificados com o que se chama humanidade ou civilização. A indignidade, a todo instante praticada, não deixa alternativa a qualquer outra qualificação. Estar atentos para esses sinais, portanto, é o mínimo que se há de cobrar de nossos contemporâneos. Se a morte tem sido o produto da dor, da miséria e da indignidade, praticadas pelos supostos donos do Mundo, isso não quer dizer que desistamos de pelejar para que os maus sentimentos sejam banidos da face da Terra. Ao contrário, chega um momento em que as forças sociais superam os esforços dos que se pensam todo-poderosos. Mesmo se o inimigo é levado ao desespero, as ameaças por eles anunciadas não podem estancar a resistência dos que acreditam na probabilidade de construir um Planeta melhor. Afinal, a Terra é a casa comum dos bilhões de habitantes, grande parte deles levada à miséria material, à fome, à doença e à desesperança. Em si mesmo, o desespero traduz apenas a crescente suspeita de que o poder dos supostos donos do império se esgota, o que é por eles mesmos percebido. E os valores e sistemas cultivados, seguidos e criados acabam por ruir. Inapelavelmente. E cada um de nós, cidadãos do Mundo, não pode ignorar qual o papel que nos cabe, na construção de um Mundo em que a solidariedade vença o egoísmo e o amor ao próximo condene ao absoluto esquecimento a selvageria produzida pelos egoístas.

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