Conceito atualizado - PIB

Compreensível a preocupação das lideranças, governantes e populações dos países com a satisfação das necessidades coletivas. Estas, sabe-se, por seu crescimento constante, exigentes de despesas que cumpre aos Estados respectivos satisfazer. Não obstante, tal obrigação raramente tem se tornado realidade, pelo menos em grande número de nações. A rigor, quase nunca isso ocorre na medida das possibilidades conhecidas e registradas. A forma como são distribuídos os resultados do trabalho de todos – de uns mais que dos outros, em ínfima minoria – impede a maioria de receber o justo benefício. Amarrados ao passado, os especialistas inventam fórmulas e siglas que justifiquem sua opção pela desigualdade. Já não basta apontar para a quantidade de riqueza gerada, de que o PIB se faz estandarte. Os tempos sombrios a que corremos o risco de nos acomodar mantêm da sigla apenas uma das palavras que a integram. Refiro-me ao termo bruto, tamanha a brutalidade envolvida na disputa pela apropriação do produto. Tal conversão afeta todas as áreas e setores, da vida pública quanto das relações privadas. Chega ao íntimo de cada indivíduo, levando boa parte da população a orientar-se por valores rejeitados pelo mais elementar conceito de civilidade. Não há, como a princípio se poderia admitir, a substituição do vocábulo bruto por outro, igualmente plausível. Temos dado inequívocas provas de recuar em direção à barbárie. Tal constatação, todavia, não basta. Daí a necessidade de descobrir na própria sigla os sentimentos e valores que inspiram os agentes responsáveis pela realidade. Perversidade, ignorância e brutalidade - eis a tradução exata da desigualdade com a qual, indesejável como possa ser, convivemos. Às vezes saudando e reverenciando os que a promovem e aplaudem.

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