Completude

;A normalização de atos ilícitos, em grande medida estimulada pela omissão dos que pautam sua vida pela obediência à Lei, leva a situações como a experimentada hoje, com as cinzas de um carnaval que não houve. Se as cinzas desta quarta-feira referem-se sobretudo ao corpos sepultados País a dentro, mais cinzento mostra-se o horizonte diante de nós. A manifestação do ainda deputado Daniel Silveira, mera repetição de outras ilicitudes por ele e outros parceiros cometidas, não é gesto vão, ao sabor de acidentes ou pura imprudência. Bastam breve retrospecto e superficial caminhada no ambiente político, para vincular a ameaça de novo e retocado Ato Prostitucional – assim o chamava o advogado paraense Alarico Barata, ao andar da carruagem. O crime praticado pelo ainda parlamentar do PSL (a esta altura expulso do partido) e a decretação de sua prisão em flagrante tem pouca probabilidade de constituir ato gratuito ou manifestação de voluntarismo. Deve ser tratado, portanto, como lance de uma partida mais ampla, em qualquer e toda hipótese nociva aos interesses e necessidades da sociedade. Quando Silveira investe contra o Ministro Alexandre Morais e lembra participar de uma queda de braço que o magistrado não pode ganhar, a metáfora explica tudo. Por isso, exige atenção para o processo de que as novas agressões ao Estado Democrático de Direito são apenas episódios. Como tal, articulam-se com outras manifestações, todas elas recebidas ora com indiferença, ora com tibieza e covardia inadmissíveis. Lembre-se que só agora o Ministro Edson Facchin assim classificou o pronunciamiento (não pode ser chamado por outro nome) do General Villas-Boas, de que não estão ausentes as digitais de outros membros do alto comando militar do País. É o próprio ex-Comandante quem os delata. Agora, diante do acúmulo de ofensas à Constituição e ao Estado Democrático de Direito, a batata quente arde nas mãos da Câmara e do próprio Supremo Tribunal Federal. Dizer-se como se comportarão uma e outro não será mais que adivinhação, esquecido o histórico recente de ambas as Casas. A grande dúvida, parece-me, está na antecipação das manifestações dos plenários, parlamentar e judiciário. Se a dúvida for desfeita pela decisão do STF e da Câmara dos Deputados, com o pano quente da leniência ou do corporativismo, estará assinada a declaração de cumplicidade. É só o que falta.

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