Comentário*

Marcelo Seráfico

Mais um belo texto, amigo! Não posso esperar pelas novas do simpósio. Posso imaginar os calafrios de quem quer fazer da verdade exercício de autoafirmação e de confirmação dos próprios preconceitos. E há de tudo nesse balaio roto de egocêntricos. Ainda que seja um só o traço que os une, a castração dos sentidos que lhes atribuem humanidade. Não sentir é a regra para evitar questionar e driblar o pensar. Mas trata-se se uma repulsa seletiva ao sentimento. Busca-se, precisamente, evitar o que mais provoca, na cabeça e no peito, inquietação. É uma busca vegetativa regada por uma ontologia do ser anti-social ou, talvez, do ser que só reconhece como legítimo na sociedade aquilo que a nega regressivamente, e aqueles que, reduzidos a si mesmos e somados, são tomados pelo todo. Não existe sociedade, proclamou a Dama de Ferro ao longo de seu império sepulcral.

A única imagem que me ocorre pala ilustrar essa subjetividade pós-verdadeira é a de ultraliberais vivendo na Europa medieval. Aquela mesma Europa que punha no arquivo morto e nas masmorras, de Sócrates a Galileus. A mesma Europa que pariu vários dos convidados para o grande encontro em Bela Vista.

O retorno ao todo, o caminho necessário para percorrê-lo, terá no simpósio um momento fundante. Seus participantes serão levados a um diálogo frustrado por suas circunstâncias ou pelas escolhas circunstanciais que fizeram. Afinal, toda escolha é afirmação e negação.

Enfim, querido e mestre amigo, teus textos despertam em mim, sempre, o desejo de pensar e de escrever. E se puderes me passar o site do evento, por favor, o faz. Se as inscrições estiverem abertas, sou capaz de fazer um esforço hercúleo para participar on-line... Se o sinal de internet permitir.

Vasto abraço e feliz Natal!

_________________________________________________________________________________

*N.E. Comentário referente ao texto Natal de 2020. Simpósio de Bela Vista, de José Alcimar de Oliveira, postado anteontem neste mesmo espaço.

3 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

A ETERNIDADE DO NOSSO AMOR

O relógio despertara às seis horas da manhã, mas a chuva forte insistia que eu permanecesse em seus braços, como se houvesse uma relação de harmonia entre os pingos d'água sobre o telhado e as batidas

Arquitetado e Produzido por WebDesk. Para mais informações acesse: wbdsk.com

Todos os Direitos Reservados | Propriedade Intelectual de José Seráfico.