Com vacina e sem pirataria

Anunciam-se bons resultados dos esforços de equipes de cientistas que buscam a vacina para a covid-19. Ao que se sabe, pelo menos laboratórios da China, dos Estados Unidos da América do Norte, da Rússia, do Reino Unido e do Brasil empenham-se em pôr no mercado o produto ansiosamente esperado. É certo que a população mundial terá à sua disposição a vacina, no início de 2021 ou pouco mais. Incerta, porém, a real possibilidade de imunização de habitantes de todas as partes do Planeta. Mais uma vez, a desigualdade mostra as dificuldades de as populações mais pobres receberem esse benefício, alcançado porque a ignorância, maior que seja, só eventual e fugazmente se impõe sobre a ciência, o conhecimento. Enquanto os cientistas perdem noites trabalhando, outros arriscam encontrar a morte salvando vidas, há os que se opõem ao seu trabalho, Quando não acontece de adotarem discurso hostil aos que estudam e fazem do conhecimento o grande motivo de sua vida.

Os números relativos à covid-19 no Brasil revelam a nocividade do discurso oficial, não apenas ofensivo à ciência e ao conhecimento, mas igualmente isento de sentimentos quanto à saúde da coletividade. Por isso, tem demorado entre nós chegar à curva descendente que apenas algumas cidades já alcançaram. Ainda assim, onde ocorre a queda no número de mortes causadas pela pandemia, continua a crescer o número de casos confirmados. Lá onde a preocupação econômica predominou, mais se faz sentir a força do contágio. Ao triunfo do lucro sobre a vida somou-se a audiência de certos segmentos ao discurso ofensivo à ciência. Talvez por isso, enquanto se espera a comercialização da vacina, continuarão a surgir casos novos e, pior, muitas sepulturas ainda serão ocupadas por vítimas do vírus.

Melhor seria se esperássemos sem desespero e no isolamento a vacina que os laboratórios em várias partes do mundo estão criando. Melhor que isso, só a certeza de que a vacina adquirida em outro país não sofresse a ação de piratas modernos. Assim aconteceu com aspiradores, por que esperar diferente, quanto às vacinas?


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