Coisa de brasileiro

Além do reconhecimento de que o brasileiro é acolhedor, alegre, passional, sabe-se também quanto ele é irresponsável. Com algumas dessas supostas qualidades por serem comprovadas, firma-se cada vez mais na vida real o quanto esperamos para fechar as portas, quando a ameaça pode por elas entrar e fazer-se mais que risco, certeza. Diz-se de nós, como povo, que só fechamos as portas após elas serem arrombadas. Mesmo sem relacionar o verbo à prática de muitos dos protagonistas de nossas cenas cotidianas, vivemos tempos em que a despreocupação e a alegria, geralmente tola, nos põe sobre os ombros peso demasiado, a ponto de não o pudermos suportar. Aceleram-se os passos em direção a um novo período autoritário, desta vez com mais que o beneplácito de expressivo segmento da população. Não faltaram brados de alerta, nem proclamações, muito anteriores à situação presente. Importa pouco que alguns, poucos também, só agora se tenham dado conta do estelionato eleitoral (como o disse o general Santos Cruz em que caíram, nas eleições presidenciais de 2018. Nem se poderia esperar algo diferente, ainda que pudéssemos escapar do inescapável - uma pandemia. Esta é que concorre, aliada à conduta dos governantes eleitos e aplaudidos, para nossa dor ser maior. Nenhum de nós, menos informado que fosse, poderia ignorar a trajetória do atual Presidente da República. Mais não precisaria ser dito, se lembrarmos sair das suas primeiras palavras, mal eleito, o reconhecimento da absoluta incapacidade de conduzir esta nau tão infelicitada. Nau sem rumo, que já lançou, não ao mar, mas para as milhares de covas abertas - vidas e esperanças. Façam-se as contas que se fizerem, engendrem-se os orçamentos financeiros que se desejarem, nada será comparável aos quase quinhentos mil seres humanos mortos. Mais ainda serão as vidas sacrificadas, porque não demos atenção às portas que se abriam diante de nós.

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