Cloroquina e cachaça

(Ruy da Fonseca)

A cloroquina, substância em dúvida se serve para combater o corona vírus, mas usada e comprovada no combate à malária, me lembrou a história contada por um pedreiro que no período de chuvas no amazonas, com a construção civil em baixa, deixava Manaus e ia para os garimpos.

Dizia; desta vez vou bamburrar! – Desejava-lhe sorte e cuidados na selva inóspita.

Passado o período de chuvas, voltava o pedreiro a me procurar para mais uma jornada de trabalho no verão amazônico. Indagava como sempre, se tinha bamburrado e me respondia que não e que o pouco ouro encontrado fora gasto com mulheres e bebidas.

Da última vez, me contou que ficou curado da malária. Disse-me ele que perdeu sua caixa de remédios com a cloroquina, e com febre, vendo a morte iminente, resolveu tomar um porre.

Preferia morrer de coma alcoólica que de malária.

Bebeu todas e mais algumas emprestadas dos companheiros garimpeiros. Dormiu, ou melhor; capotou e acordou um dia e meio depois sem febre e com pouca ressaca. Concluiu me dizendo que chegando a Manaus, fez exame de sangue cujo resultado foi negativo quanto à existência de protozoários maláricos. Gabava-se de ter afogado os bichinhos na cachaça.

Fiz que acreditei e como não sou mal educado, não pedi que comprovasse sua história com a apresentação dos exames.

Readmiti-o.

Manaus, Am.

0 visualização0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

O INCONTORNÁVEL MARX

José Alcimar de Oliveira * Ser radical é agarrar as coisas pela raiz. Mas, para o homem, a raiz é o próprio homem (Marx) 01. Mesmo depois do período do grande racionalismo da filosofia moderna ainda é