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Clareando a Amazônia

A muitos parecerá novidade, mas não é. Do assunto tratou Arhur César Ferreira Reis, quando denunciou a cobiça internacional pela Amazônia. Quando os problemas ambientais sequer eram motivo de generalizada discussão. Nem sempre honesta, nem sempre edificante. Já em 1973, a cientista Clara Pandolfo pensou no uso do satélite para controlar o previsto desmatamento da Região. Professora (depois diretora) da Escola Superior de Química de Belém, dona Clara (era como a chamávamos, colegas na então SPVEA - Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia), teve suas ideias relembradas apenas em 2006, quando foi editada a Lei de Gestão das Florestas Públicas. Outra mulher, também professora Marina Silva, trouxe de volta um dos pensamentos mais lúcidos e honestos a respeito da natureza amazônica. Pois agora, quase 20 anos depois, o jornalista Murilo Fiúza de Melo, paraense como a saudosa cientista, sua avó, lançará o livro Clara Pandolfo: uma cientista da Amazônia. A obra será lançada no mês de setembro, em Belém, integrada aos eventos preparatórios da COP30. Documentário e sítio sobre o tema, a autora e o livro chegarão, também, ao público na mesma oportunidade. Não há como esquecer, pelas circunstâncias que os aproximam, o livro de Murilo e outra obra, dedicada a outro dos pensadores contemporâneos de Clara Pandolfo, igualmente ligado à SPVEA, o professor da UFAM e ex-Diretor do INPA, Djalma da Cunha Batista. Sobre ele, o editor deste blog organizou e lançou o livro Djalma Batista - um humanista da Amazônia ( Editora da Universidade do Amazonas- EDUA, Manaus, 1996). Nunca soube de alguma conversa entre os dois eminentes estudiosos da terra e a gente amazônica, mas posso imaginar quanto se teriam beneficiado a Região e o Brasil, se ambos e mais alguns outros de seus colegas tivessem aberto os ouvidos de mercador dos brasileiros de seu tempo. Quantos sabem que Clara propunha, há quase um século, o uso dos óleos da Amazônia em várias atividades que os combustíveis fósseis atendiam? Ou quantos, sabendo-o, levaram a sério o conhecimento da dona Clara? Estou quase certo que o livro do jornalista Murilo Fiúza de Melo acabará por exigir a reedição de O Complexo da Amazônia (Editora Conquista, coleção Temas Brasileiros, Rio de Janeiro- RJ, 1976), que Djalma publicou. Mais recentemente, a Editora Valer/EDUA (Manaus, AM, 2007) pôs à disposição dos leitores e estudiosos da Região a 2ª edição do livro do amazonense nascido em Tarauacá. Embora vivendo e trabalhando no Pará, estou certo de que a leitura e a recepção do livro do descendente da grande cientista farão justiça à contribuição que Clara Pandolfo trouxe e ainda traz para a solução de muitos dos problemas ambientais que hoje ameaçam o Planeta.


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