Ciência e Vida


A produção massiva de mentiras e, pior, a recepção e o aplauso por elas obtidos obrigam os cientistas e divulgadores da ciência a desvios. A suspensão das pesquisas e testes relativos à vacina da Oxford University, embora providência abonadora da atividade dos cientistas, tem ocupado os institutos e seus profissionais na explicação da interrupção transitória dos trabalhos. Tudo isso seria desnecessário, não houvesse tanta mentira circulando. Não têm bastado aos produtores e disseminadores de falsidades, as sucessivas explicações dadas pelos cientistas e pesquisadores ora empenhados em chegar à vacina. Compreensível a resistência de alguns setores, dos quais não se pode com justiça exigir exato entendimento das peculiaridades do trabalho científico. Das exigências de caráter intelectual, da criteriosa observação dos fatos e fenômenos, da utilização de métodos a que nem todas as atividades humanas estão sujeitas. Não que profissionais diferentes não os tenham, mas procedimentos necessariamente diferentes dos usados em pesquisa científica. É disso que trata a suspensão da pesquisa coordenada pela Universidade britânica. Uma intercorrência capaz de comprometer a segurança e a eficácia da vacina poria a perder todo o esforço até aqui realizado. Estudos sobre esse fato superveniente exigem a atenção prioritária dos cientistas, ainda mais agora, quando a população mundial tem aumentada a expectativa de que a prevenção da covid-19 está perto de ser alcançada. É fato, também, que a imprudência e certa vocação suicida de parte da população a torna suscetível de adotar práticas resultantes da ignorância e de outras perturbações de ordem mental ou moral. Daí as aglomerações, a resistência ao uso de equipamentos protetores, a recusa ao distanciamento social. Nem por isso, os que se negam a contribuir para a louvação da morte e o suicídio coletivo devem calar-se. Importa pouco que as frustrações de uns desejem sobrepor-se às esperanças da maioria. Para esta a Ciência trabalha.

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