Cenário e simbolismo

Cristiane Rose Jourdan Gomes é o nome dela, ocupante de uma cadeira na Diretoria Coletiva da Agência Nacional de Vigilância em Saúde - ANVISA. Na memorável sessão de ontem, em que foi unanimemente aprovada a autorização para a vacinação emergencial solicitada pea FIOCRUZ e pelo Instituto Butantan, ela só faltou dizer o nome dos santos (ou diabos?). Dos milagres (ou chacinas?) ela falou. Além de não poupar elogios à pesquisadora que relatou os processos em pauta, Meiruze Sousa Freitas, a médica e advogada, considerou a reunião da tarde do último domingo um divisor de águas em cenário devastador. Mais que qualquer cidadão comum, ela pelo menos suspeita qual o carpinteiro que construiu o cenário. Não apenas o que se traduz na escassez em Manaus desse bem de que todos dependemos, o oxigênio (que um dia será cobrado pelo consumo nas ruas), mas nas palavras águas e devastador. Dos que vivem na Amazônia e estão atentos à tragédia que nos infelicita, pelo menos, deve vir a suspeita de que Jourdan acompanha a devastação florestal e sabe onde ela ocorre com maior vigor. Tida como defensora da hidroxicloroquina, desta vez preferiu dar ouvidos à Ciência. Oxalá seja, das duas uma: mentira o que a internet diz dela a respeito do medicamento; renúncia a aplaudir o charlatanismo em voga. Aí, sim, a Ciência terá vencido a ignorância.

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