Cavernosos

O que você diria, leitor, de um jovem cobrador de ônibus que falsificasse atestados médicos para faltar ao trabalho? E que, adulto, ingressou em organização militar da qual saiu com a etiqueta "ineficiência do caráter educativo"? O mesmo que, enquanto pertencente à mesma organização, foi punido pelo menos 70 vezes, por praticar atos ligados à erosão de preceitos éticos da corporação? Esse o conceito que faz dele o ex-comandante da força que tanto se empenhou em deslustrar. O boletim da PM-RJ de julho de 2019 o atesta, sob a firma do coronel Rogério Lacerda. O ex-cobrador de ônibus também foi visto destruindo placa rememorativa de uma vítima de seus colegas, ela também portadora de mandato popular. Depois, investido de mandato federal, a mesma personagem ofendeu as instituições do Estado Democrático de Direito e perpetrou uma série de outros crimes contra o sistema que lhe permitiu chegar tão alto. Certamente, não é de Castor de Andrade, Eike Batista, Marcelo Odebrecht, Sérgio Moro, Gedel Vieira Lima, Michel Temer, Antônio Pallocci, Deltan Dalagnoll (quantos mais?) que trato aqui. As semelhanças entre eles não os aproxima tanto como se poderia pensar, porque a estes outros jamais pode ser imputado crime tão paradoxal: voltar-se contra a Constituição, a mesma que permitiu a eleição dos que a terão alcançado. O delinquente de que trato chama-se Daniel Silveira, que o Supremo Tribunal Federal mantém preso, à revelia das homenagens que lhe vêm prestando os que elegem também seus bandido preferenciais. Inveja, ódio aos que pensam diferente ou identidade de propósitos e sentimentos, seja lá o que for. revela apenas quanta maldade e injustiça se abriga na mente e no coração dos homens. Principalmente os que ainda não atravessaram a caverna e por isso não conheceram a luz do sol.

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