Cautela ou vergonha

Foi dito que certo governante, acossado por forças inimigas, sentiu-se fraco demais para evitar a queda iminente. Então, engendrou estratégia de retirada que não fosse tão apressada, para não parecer uma fuga, nem tão lenta que favorecesse sua captura. É esse o caso da Folha de São Paulo, ao comentar a independência do Banco Central. Entoando o coro dos que desejam manter o Estado paralelo que o Banco Central reivindica, matéria sem autoria, por isso sendo justo atribuir-lhe o caráter de opinião do jornal, tergiversa. Primeiro, apoia a desvinculação do BC da supervisão governamental e da sociedade. Deseja mandato com prazo fixo para os dirigentes, como o deseja o mercado senhor de todas as coisas e gentes. Depois, aponta certas ocorrências favorecidas exatamente pela liberdade absoluta dos rentistas. Para, no final, ratificar a preferência pela autonomia plena. Com uma só restrição: não é esse, hoje, o tema principal de debate. Ou seja, a autonomia é boa e desejável, mas inoportuna. Está-se por saber se se trata de opção ditada pela cautela ou pela vergonha de fazer o mal, sabendo-o assim.

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