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Carniça sem mortos

Só um nome é conhecido, dentre os pretensos candidatos à Presidência da República, nas eleições de 2026. Candidato para valer, por enquanto, é Lula. Do outro lado, está mais difícil chegar a um nome com capacidade eleitoral - e em muitas outras dimensões - minimamente competitiva. A variável familiar mostra crescente reação negativa, não só nos círculos de alguma forma vinculados ao ex-Presidente, hoje não mais que um presidiário. Com a agravante de que a pena que lhe foi aplicada - como a seus cúmplices - resulta de fiel e devido processo legal. Em que a comprovação dos delitos pelos quais respondeu a organização criminosa (como a classificou o STF), foi abundante e produzida pelos próprios delinquentes. Observa-se crescente dificuldade em chegar a um consenso na direita, tão diversos os objetivos das facções que a constituem. Há, nessa pluralidade de grupos, desde os que dão sinais de acelerado afastamento do líder hoje cumprindo pena, até os que, fazendo da política uma atividade destinada a amealhar fortuna material, não vêem chegada a hora de renegar passado tão recente. Em meio a tudo isso, há os que pensam ainda vivermos o regime das capitanias hereditárias. Aqui, cumpre lembrar que a aventura eleitoral pode ser impedida a alguns dos membros da famiglia, pela reiteração de sua atividade delinquente. Se as enfermidades alegadas pelo líder acolhido como presidiário em uma das salas da polícia Federal não têm caráter infeccioso, antigos cúmplices e apoiadores têm como certo o alto grau de periculosidade eleitoral que ele apresenta. Tê-lo à distância, portanto, pode ser a única saída. Sempre será bom e oportuno lembrar que nem todas as atividades delinquentes já foram suficientemente investigadas. Pelo que se conhece, e pelo currículo criminal de muitos dos delinquentes, a coisa tende a ficar pior. O tiro de misericórdia está no ambiente econômico, cujos números parecem alvissareiros. Urubus gostam de carniça. Mesmo quando não há mortos a festejar.

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