Café Central, mais que um romance

À À margem, desfrutei...

Após simples e rápida folheada, eis o que escrevi, no verso da página 381: Memória? Acerto de contas com a infância e a terra distante? A revisita a locais, sentimentos e emoções? Dúvidas que à primeira folheada mostra texto rico de vidas e saberes (12/05/2011).

À medida que a leitura avançava, anotações à margem do texto, ao final de cada capítulo também.

P.19 Belo prenúncio!

P.21 Sublinhei o verso(?) por sua beleza: Senti-me como um pequeno rio buscando seu destino de mar.

P.22, à margem Çairé?

P.25, à margem: Zeus?

P.26: Abaetetuba fica para trás.

P.29: nas entrelinhas: Há um seringal com este nome (remate dos males), no Amazonas.

No rodapé: No capítulo, o tempo emerge dos espelhos.

P.33, entrecho: O declínio provocado pela emersão da realidade, de dentro dos espelhos.

P.37, sublinhado: Eu estava empurrando as minhas fronteiras, rompendo meus limites, simplificando meus remorsos, prosseguindo no intuito de conhecer outros mundos nascidos em reprimidos desejos, numa mistura de assombro e gozo.

P.41, no rodapé: A monotonia panorâmica da região.

P.43, sublinhado: O espaço não tem consideração com o tempo nesses longos rios.

P.45, sublinhado: Tinha a impressão de juntar folhas dentro do espelho e no chão.

P.45, Fo fim do capítulo: O espelho, o chão, o rio – fontes do devaneio, da realidade, do romance.

P.49: Arte não se separa da política. Principalmente a poesia.

P.52 A angústia do cárcere escolhido prestes a explodir.

P.59, pé da página: Belo poema! Ao lado: O rio, o barco, a família, o trabalho ... a vida!

P.65: A insegurança do asilo, a vontade de mudar e de desencantar a cidade que a boiúna tragou.

P.71: Aproxima-se o rompimento – o primeiro, talvez. Manegundes, o remeiro silente, traz consigo as dúvidas e os sonhos do autor; desvendará as primeiras? Realizará os outros? Vai-se ver...

P.87, ao pé: A chegada à cidade grande. O rompimento com as origens?

P.100, ao final: As delícias do jardim de Madame Naty.

P.104, ao final: o Di (Dionorte?) Drummond e sua paixão pela racional Naty.

P.113. idem: Ciúmes de puta, apreensões do sedutor: insegurança(s).

P. 116, à margem: Drummond/ Dali?

P. 117, ao pé: O gosto pela pintura, em Naty. Di Drummond – o salvador daqui.

P.121, ao final: O processo criativo e executivo do pintor, de qualquer artista – quem sabe?

P. 125, idem: Os dilemas postos pelo absinto: saíram ou não do quarto de Naty? Naty ou Blanche?Ficar ou não ficar no “Jardim das delícias”?

P.127, acima Esta sensação, tive-a certa vez em Curitiba. Mais: Belíssimo (sobre a expressão “um lugar povoado de ausências”. Ainda: Outro belo achado! Referindo-me à expressão Aquele cão humanizava a madrugada.

P.131, ao final: A volta à vida lá-fora, o cão humanizante da madrugada, a praça Batista Campos – realidade e ficção, ficção e realidade, agora sem absinto...

P.135, final A decisão de voltar à casa primeira e os sucessos dela: Naty, a sedutora; Blanche, a seduzida. A vida e seus acasos.

P.141, à margem: Poesia, referindo-me ao verso A respiração do remeiro ritmava-se com as remadas. Ainda, ao final, Bela página, retrato da experiência vivida por tantas famílias – como a minha. Sem rio, sem canoa e canoeiro, mas com muita dor e lágrima.

P.145, final A acolhida na casa do tio, um homem pragmático – e reservado.

P.148, final: O dibubuísmo e o que pensar dele – seja o que for.

P.157, ao final: Como funciona um engenho? Aqui se aprende isso. Como se iludem donzelas? Também.

P.160, sublinhei: ...moedores de triturar a carne e o tempo...um garrafão esverdeado vazio de cachaça mas cheio de passado...um feixe de lembranças junto ao fogão, o fogão de lenha amontoado de cinzas e memória...no parapeito esperando a noite, o silêncio escondendo ruídos que o vento trazia.

P.161, ao final: Mani – festa de sensualidade -, o início de novas experiências. Noite/dia, sensatez/loucura. As histórias que ninguém quer ouvir ou contar.

P.162, sublinhado Os candeeiros não descansavam seus pincéis de luz.

P.168, final: A política e sua imagem.

P.170, ao longo do primeiro parágrafo Bela página, com tempero quase religioso, quase demoníaco.

P.173, final: O erotismo inocente, quase ritual sagrado é o que se acaba de ler.

P.174, 1º parágrafo: Bela imagem!

P.186, ao final: O lendário no espelho da memória da tia Laudica. Sensualidade narrada substitui a sensualidade do sentido. E logo trocam de posição – o espelho de volta.

P.189, idem As histórias que a fala humana nos traz e a Babel que Arquimima não entendia. Os saberes que vinham em torrente, desde Pe. João Daniel.

P.190, 2º parágrafo, à margem: V. Leandro Tocantins.

P. 196, ao final: Costumes da aldeia.

P.200, em rodapé: Tipos humanos do beiradão.

P.216, final: As histórias e os casos do beira-rio.

P.220, à margem: Aparecem uns olhos verdeazuisvioleta nas pálpebras da saudade, na seletividade da memória. Surge Violeta, sujeito oculto até então, embora alguns possam tê-la visto, nas páginas anteriores.

P.224, ao final: A ausência da mulher amada, a distancia, a incerteza, o sofrimento.

P.225, sublinhado Muitas vezes, a sedução da cidade vai nos fazendo esquecer os prazeres da vida ribeirinha.

P.232, ao final O regatão e o circo e as vidas que se abrigam sob a lona.

P.238, à margem, lembrando a(o) pessoa de outro poeta Nada é pequeno se o sentimento é sincero...

P.242, ao final Uma viagem no regatão, o rio e o mar, rede de conversa.

P.245, ao final As encantarias e os acontecidos.

P.252, ao final: Enterro fluvial- ritual flúvio e fantasmagoria.

P.258, ao final: Luísa e o banho inocente.

P.267, ao final:Dona Arquimima, a cidade encantada dos seus contares.

P.273, ao final: Arquimima e Luíza, sabedoria de mulheres.

P.280, ao final: As lendas são o rio que corre neste capítulo. A infância retomada.

P.285, ao final:Exilado em sua terra, que já não estava mais nele – ou se afastava a pouco e pouco...

P. 295, ao final:O pesadelo veramente vivido. O remorso de fugir.

P.301, ao final: As saudades chegando a quem não pudera medir a felicidade.

P.308, ao final: O boto e a noite que dele se farta – fêmea e viúva.

P.315, ao final: O reencontro com a amiga de outrora, o encontro com os problemas de agora: mais uma vez as artes do boto.

P.321, ao final: A garimpagem que queima o rio. A professora que resiste.

P.324, ao final: A sedução do boto retém a professora n o lugar.

P.326, à margem: Reaparece Violeta.

P.330, ao final: A filosofia do remeiro e as saudades da estudante pesquisadora. Desafios das encantarias.

P.334, ao final: O diálogo sobre encantados e a verdade que é sem o ser.

P.341, ao final: Novo diálogo, à moda do desafio.

P.343, sublinhado as velas das canoas passavam cabisbaixas vergas veladas submissas. Escrevi, à margem: Poesia.

P.347, ao final: Terra e sonhos caídos. Defesa em forma de cuia – as cobras. A desvontade de chegar ao porto.

P. 358, ao final: Belarmino, o sabichão.

P.364, ao final: Platoniano e sua sabedoria. O exilado reaproxima-se de sua infância.

P.365, ao final do primeiro parágrafo: Confirma o que anotei na p.381-v.

P.375, ao final: A inverossímil notícia que era veraz: a liberdade.

P. 378, ao final: A dúbia sensação da liberdade – soltura ou a prisão do medo?Yemanjá alivia a dor.

P.380, ao pé: Os espelhos estilhaçados.

Comentário final:

Preparara-me para ler apenas um romance. Sabia-o tecido por poéticas mãos. Conhecia algumas das experiências de vida do autor. Beneficiava-me a estima que nos é recíproca. Encontrei muito mais. Na verdade, acompanhei cada página, cada frase, cada palavra, cada sílaba, cada letra, como quem percorre o roteiro acabado de um bom e emocionante filme. Nem é preciso dizer que poesia e prosa se fundiram, para nos dar um texto que é, em parte, a história de cada um e de muitos de nós. Poucos – talvez nenhum – soubessem dizê-lo com tanto sentimento e arte. Ao final, penso ver confirmadas as hipóteses registradas após o primeiro folhear do volume. Este livro-filme não pode esperar mais, para ocupar as telas da assim chamada sétima arte.

Obrigado, Jesus.

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