Cada um contra todos

A democracia e os fundamentos em que se assenta nunca terão sido tão agredidos, depois da fúria nazifascista, quanto hoje. No Brasil, em especial. Mesmo a liberdade se tem prestado a proclamações ensandecidas, saídas com sujeira da boca dos que as produzem. Sem a menor percepção do que constitui e como, a sociedade dita humana, há atores cuja preferência é por Robinson Crusoé, não por Gandhi ou Mandella. Nunca ouviram falar de Sexta-feira, menos ainda de Caliban e Próspero. Permanecem, por isso, firmes na convicção de que o mundo foi por eles mesmos criados, para eles criado, submissos à sua vontade. Assim, os outros são os outros, nada mais. Se não encontro razões para viver, os outros também não as devem ter. Que me sigam e embarquem na canoa furada de Caronte. Ao som da flauta tocada em Hamelin.



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