Câmara, Senado e nós

Refiro-me não aos nós de nossa economia e das articulações políticas envolvidas na troca de comando das antes chamadas Câmara Alta e Câmara Baixa da República. Mas aos prováveis efeitos da mudança sobre o instrumento de política econômica nascido e batizado Zona Franca de Manaus, depois identificado como Polo Industrial de Manaus - de ZFM para PIM, o percurso de 53 anos. Dizer das dificuldades da 117ª tentativa feita no Mundo em processo de acelerada globalização, é pouco, não obstante o anúncio de que estávamos diante de soberba prova de originalidade. Uma espécie de fake-news antecipada. Pois é! Experimentam-se, agora, as mesmas angústias por vezes impostas à população da região. Até porque alguns dos membros dessa população, em escala miserável, tornaram-se os únicos beneficiários do que ainda alguns insistem chamar de modelo. Posso supor que, distribuídos com justiça os ganhos da experiência, maiores seriam a participação e o entusiasmo dos resistentes às perdas iminentes. Ao contrário, os ganhadores de sempre cuidaram sempre de mais ganhar e acumular, desse no que desse. No que deu? Na situação que para alguns interessados no debate, pouquíssimos que sejam, acena com restrições ainda maiores na manutenção do PIM. Desdenhosos do processo de crescente internacionalização da economia, sequer se veem como contribuintes das ameaças que pairam contra a economia regional. Enquanto uns faziam fortuna em solo amazônico e as aplicavam fora da Amazônia, tudo parecia correr a contento. Poucos os que se interessaram ao menos por entender o real significado da Economia Regional (de qualquer região, de qualquer parte do globo terrestre), em ambiente de globalização. Quero dizer: a nova divisão internacional do trabalho jamais foi posta em questão, menos ainda (e a ignorância original não indicaria outro resultado)como entendê-la e dela tirar algum proveito. Os fatos acontecendo e os ricos instalados na ZFM ou PIM pensando estarem diante do baile da Ilha Fiscal. Ou dos últimos dias de Pompéia, sabe-se lá...Primeiro, os rapapés e gestos de subserviência nunca faltaram aos que prometiam milagres salvadores. De muitos dizia-se serem inimigos do projeto, por isso não lhe emprestavam solidariedade e, o mais desejável, seu voto no Parlamento. Agora, afirma-se que, conhecedores da realidade, não se furtarão a contribuir para evitar males maiores. Penso o contrário. Porque já o conhecem (duvido até que tal conhecimento é bem antigo), aumenta sua capacidade de evitar que prospere. Pena que, a despeito de tanta reverência e submissão, não consigamos mais que despertar o desapreço e o desdém dos outros. Vencer o espírito provinciano, medieval, submisso será a única energia capaz de efetivar o que grande parte do povo (dos que efetivamente trabalham, portanto)pensa provável: encontrar aqui mesmo, porque capacidade de trabalho, talento e criatividade, além de natureza exuberante não nos faltam, nossas soluções. Tanto quanto a globalização não é fenômeno da natureza, a grandeza de uma nação ou região é tecida pelos homens. Onde achá-los à altura da tarefa talvez seja o problema fundamental.

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