ButanVax X Caronavac

Lamentável a disputa agora travada pelo governador de São Paulo e o Presidente da República. Desta vez, entraram em campo as equipes do Butantã, cuja vacina chega cercada de suspeitas; do outro lado, um imunizante anunciado pelo Ministro da Ciência e Tecnologia, mantido fora dos holofotes nos momentos mais graves da crise. As suspeitas em torno da ButantanVax referem-se à divulgada exclusividade de brasileiros em suas criação e desenvolvimento. Os ingredientes seriam todos fabricados no Brasil. Verdade que prevaleceu enquanto pesquisadores de um instituto integrado ao Hospital Mount Sinai, de Nova Iorque estavam calados. Sabe-se, agora, que a - chamemos assim, à falta de termo mais sofisticado - semente procede do laboratório norte-americano. O instituto brasileiro, a partir desse ingrediente produzirá a nova vacina. A outra, só divulgada depois de João Dória ter entrado na área com os pesquisadores do Butantã, foi anunciada pelo coronel Marcos Pontes, figura estrategicamente mantida nos bastidores, quando Ciência e Tecnologia são discutidas pelos interessados de todos os demais setores da sociedade, dos cientistas e professores até os empresários e engenheiros. Sugerem-me alguns dos poucos leitores que seja dado à vacina anunciada pelo pomposa e exageradamente chamado astronauta o nome CaronaVac. A pouca relevância do passageiro da nave espacial norte-americana, no voo de que desfrutou, justificaria o nome. Isso é o de menos, agora que ficam mais explícitas as semelhanças entre os dois comandantes dos times. O Presidente da República e o governador de São Paulo são farinhas saídas do mesmo saco. O pó de que vêm os dois é o mesmo e o empenho de ambos pouco tem a ver com a proteção da saúde dos brasileiros. Se protegendo-a do vírus ganharão mais votos, ambos aceitam o que lhes parece sacrifício pessoal. Esta e não qualquer uma outra é a razão pela qual eles põem os times em campo.

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