Bravatas contra a saúde do povo

Irresponsável, despropositado como toda bravata, o anúncio feito pelo governador João Doria sobre a vacinação em seu Estado insulta a cidadania. Revela, mais uma vez, a imposição de interesses particulares àqueles da população que o tem como governante. Tentando marcar posição antecipada na eleição presidencial de 2022, o autoproclamado apolítico que exsuda política por suas axilas comporta-se como os animais ditos inferiores - que com suas exsudações marcam território na floresta em que vivem. Não pode ser outro o objetivo, quando aquela liderança do PSDB desafia a ANVISA, já de si perturbada pela ação dos que se apoderaram do Ministério da Saúde. As palavras do governador de São Paulo se abatem não contra os atuais mandantes do MS, porque atingem a um so tempo a própria Agência e os que a integram e não apenas por curto período de uma gestão. As missões institucionais da ANVISA e a credibilidade ao longo de décadas conquistada pelos profissionais de seu quadro permanente exigem firme repúdio aos ataques e às pedras atiradas pelo governador. Mesmo os mais ferrenhos adversários deste (des)governo instalado no Planalto hão de perceber a que se destinam o desafio, o desrespeito e o ataque de Doria. Nenhum cidadão de boa fé, possuído de propósitos benfazejos e preocupado com seus concidadãos desejaria ver-se vacinado por imunizante alheio à manifestação da autoridade competente, no caso a Agência Nacional de Vigilância em Saúde. Admita-se frequentar a mente do chefe do Executivo paulista a hipótese de sabotagem determinada à ANVISA, relativamente ao processo de autorização para uso da vacina produzida pela Sinovac e adquirida pelo Instituto Butantan. Ainda assim, não seria o caso de investir contra a agência, pelo mal que causaria tanto à própria instituição, quanto à população. Revela-se, outrotanto, a vocação autoritária do pessedebista, mais próxima das motivações de seus supostos opositores.

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