Brasileiros na Ucrânia

A visita do Presidente da República do Brasil à Rússia, mais que um gesto sem qualquer sentido ou particularidade que lhe dê grandeza, serve mais ao reforço de uma impressão que crescente parcela da população tem do chefe de Estado. De sua absoluta incompetência para conduzir uma nação ele mesmo o disse, mal tinha posto as nádegas sobre a poltrona do quarto andar do Planalto. Da ignorância sobre qualquer que seja o assunto sério de que se trate, as reiteradas vezes em que isso foi exposto bastam para eliminar dúvidas. Mesmo o desprezo pelas necessidades e carências ostentadas pelo povo que a ele cumpriria conduzir, a cruzada antivacina e pró-morte por ele liderada fala por si mesma. Há certa mistura de tudo isso - incompetência, ignorância e desprezo - na escolha do momento em que a desastrada (se isso não é demasiado generoso dizer) excursão é feita. Houvesse alguma razão plausível, por mil motivos qualquer brasileiro medianamente informado suspeitaria de ser mais uma das abundantes inverdades gestadas e disseminadas nos círculos mais íntimos do Presidente. Não há agenda oficial divulgada, o que pode denunciar a convicção do próprio Presidente e dos seus iguais de que não é boa coisa, nem oportuna, a ida a Moscou agora. Já não bastasse a confusão mental (?) estabelecida nas cabeças governamentais, ainda hoje convencidas de que a União Soviética existe, a cortina de ferro permanece firme, o muro de Berlim continua no mesmo lugar e a Rússia de Putin ainda é comunista. Nesse caso, o líder russo estaria sendo visitado e cortejado (com uso de máscara e submissão a teste rápido detector de covid-19) porque nazistas e comunistas são a mesma coisa. Trata-se da visita a um amigo e parceiro, nada mais. Empenhado em conter a intromissão do governo norte-americano nos países fronteiriços à terra dos kzares, os governantes brasileiros talvez estejam lá para apresentar-se prestimosos ao mais ranheta adversário do líder antes governado por um aliado do Presidente brasileiro. O fracasso de Trump, modelo do ex-capitão, empurrou-o para os braços (debaixo dos) de Wladimir Putin. A julgar tudo pelos antecedentes, ninguém se admirará se lá o Presidente encontre inspiração para expedir decreto ou MP que determine a ida de soldados brasileiros para combater os ucranianos. Na guerra, não são muitos os que apostam em que mantê-la fria tem-se revelado mais lucrativa. Vá-se explicar isso para gente ignorante, incompetente e desprezível!

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