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Botando pra quebrar

Dia 8 de janeiro de 2023 marca o momento em que os derrotados na eleição presidencial de 2022 praticaram o que o título sugere. Neste caso, no sentido literal, direto, sem eufemismo ou subterfúgio. Naquela data, uma espécie de domingo dos horrores, foi levado à ação plano gestado desde 30 de outubro do ano anterior, quando apuradas todas as urnas. Mais grave, e pelo quanto se sabe até agora, tendo como útero gabinetes oficiais da alta administração federal. Fatos marcantes do processo frustrado não faltam, dentre os quais a confecção do plano encontrado na residência de ninguém menos que o então Ministro da Justiça. Ao ensaio geral do início de janeiro, no entanto, acrescentam-se outros, de que a também frustrada explosão de um caminhão carregado de combustível, a invasão da sede da Polícia Federal e a instalação de acampamentos em frente de quartéis do Exército dão exemplo. O julgamento dos criminosos começou na última segunda-feira, dia em que o País conheceu com fartura de detalhes a gravidade dos acontecimentos e seus propósitos. O relatório do Ministro Alexandre Moraes não poupou minúcias e fartas informações , enriquecendo-as com imagens e documentos comprobatórios das ameaças afinal postas em prática dia 8 de janeiro. Ainda assim, o segundo voto proferido na reunião da mais alta corte judiciária do País orientou-se pelos mesmos valores norteadores da conduta dos arruaceiros sub judice. Não que tal manifestação contenha alguma surpresa, pelas razões que levaram o votante - Kássio Nunes Marques - àquela corte. O voto desse ministro, todavia, confirma a suspeita de que ele está ali mais como defensor de um projeto de poder que as urnas interromperam, que como um magistrado. Talvez porque ainda não houve quem lhe dissesse das couraças que a irredutibilidade dos vencimentos, da imobilidade e da vitaliciedade promovem em relação à dignidade dos julgadores. Se ele sabia disso, e preferiu autorizar a repetição dos atos criminosos, não seria eu a dizer o que lhe falta. Nem é justo alimentar a expectativa de que Kássio ficará sozinho. Ontem, confirmou-se o esperado. O outro membro da bancada obscurantista, com a terribilidade que lhe é outorgada pelo líder, proferiu voto substancialmente semelhante. Num certo sentido, o que a sociedade brasileira espera é o escore de 9 x 2, pela condenação dos réus. Quem botará para quebrar, em sentido simbólico, será o STF. Desta vez, baseado em evidências e provas. Tudo de acordo com o devido processo legal. É esperar para ver.




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