Bons e maus cesteiros

As redes (anti) sociais, com largo e frequentemente criminoso uso, não perdoam. Nem dormem no ponto. Mal ocorre o fato, segundos bastam para coloca-lo nos milhões de computadores, telefones celulares e outras geringonças eletrônicas. A aldeia ganha dimensões globais, levando aos mais longínquos e às vezes escondidos rincões textos e imagens a um só tempo gratificantes e incômodas. A gratificação fica por conta dos que pretendem tirar proveito do material informativo disseminado; o incômodo amplia as preocupações dos que se veem prejudicados. Ainda sem suficientes esclarecimentos, fatos do passado acabam influenciando a recepção das novas imagens, vinculadas entre si seja lá pelo que for, umas e outras, as de ontem e as de hoje. A escuridão sempre será ajutório desejável, se muito há a esconder. Nesse caso, tanto quanto os especialistas no processo de comunicação dizem da produção de um boato, sempre que ocorre certo hiato na transmissão de mensagens, a reincidência em prática obscura atrai e produz quase inevitável dificuldade em admitir a plausibilidade do fato posterior. Se as circunstâncias guardam alguma semelhança com as que as antecederam, mais suspeita pode parecer alguma interpretação sem o apoio de evidências mais que provadas. Sempre se haverá de premiar com a dúvida o acusado de algum fato que está por provar. Há todo um conjunto da obra no qual se insere obra nova, sempre que suspeito algum fio condutor que as torna próximas. Um suposto atentado aqui, uma enfermidade acolá, desde que os beneficiários sejam os mesmos, sem a dúvida jamais se poderá chegar à verdade dos fatos. Se há dúvida e se pretendida sua completa e total eliminação, quanto mais numerosas forem as provas e mais profunda a investigação, melhor para todos. Ainda mais, quando estamos diante de atos, fatos e interpretações recheadas do mais legítimo interesse público. Não seria desta vez a melhor oportunidade para afastar de nós o que diz a sabedoria popular: cesteiro que faz um cesto faz um cento.

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