Boa briga, melhor brigada


O País ainda não se deu conta de uma das mais produtivas e sérias experiências ensejadas pela pandemia no País. Refiro-me à Campanha Cientistas Trabalhando, cujo coordenador é o neurocientista Miguel Nicolelis. O título da campanha lembra logo a placa fixada no laboratório do célebre Professor Pardal, que entreteve grande parte da minha geração, leitora de revista em quadrinhos.

Membro do Comitê Científico de Combate à Covid-19, montado pelo Consórcio do Nordeste, de que participam os Estados da Bahia, Maranhão, Piauí, Sergipe e Paraíba, Nicolelis sabe melhor que ninguém da importância de tratar criativamente o que chega cheio de novidade. Enquanto grande quantidade de seus colegas, empenha-se em curar infectados, Nicolelis volta-se para o futuro, não para o passado. Trabalha com o que ainda não se sabe, não com o que se sabe há muito tempo e, experimentado, não traz resultados positivos.

O passo inicial do meritório trabalho promovido pelo Consórcio foi a criação de um aplicativo telefônico desenvolvido pelo governo da Bahia. Através dele os pacientes relatam os sintomas e passam a ser monitorados, de tal sorte que podem ser atendidos oportunamente e impedidos de disseminar o vírus, quando é o caso de o trazerem em seu organismo. O acompanhamento dos pacientes é feito pelas Brigadas Emergenciais de Saúde, com atendimento domiciliar prestado por equipe multiprofissional. Dada a excelência da ideia, as Brigadas já se espalharam pelo interior do Nordeste e começam a penetrar em outras regiões, como em São Paulo (na zona Leste da cidade) e no Leste do Pará.

Em quatro meses de trabalho, o aplicativo Monitora Covid-19 já foi baixado mais de 224 mil vezes; cerca de 87 mil pessoas usaram-no e mais de 58 mil consultas de telemedicina foram realizadas. Mesmo assim, os responsáveis consideram ainda não estar totalmente ganha a que tem sido chamada Batalha do Nordeste, uma frente importante do combate à covid-19 no País. Destacável, dentre tantos outros aspectos que envolvem a campanha é o apoio na Ciência e a orientação preventiva de que se reveste, tornando menor a perda de vidas e possibilitando ação menos voluntariosa no combate à pandemia.

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