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Batendo cabeça

Para os que veem na Política o espaço onde se expressam as vontades individuais e coletivas, parece estranha a conduta do que se imagina como oposição. Pelo menos, neste conturbado trecho de nossa História. A redemocratização do País se não foi operada segundo as aspirações da então oposição ao regime, significou importante passo em direção à democracia. Não a consumava inteiramente, nem é conveniente que se obste qualquer caminho que leve, sempre e sempre, a aprofundar seu nível. Foi feito o que era possível fazer. Digo-o, à moda de rendição diante dos fatos. Sou dos que negam validade à frase assaz divulgada e festejada: a Política é a arte do possível. Primeiro, porque só os medíocres se contentam com tão estreitos limites.. (Não fosse Dom Quixote uma das minhas constantes inspirações!). Depois, porque sem sonho já nos bastam os cavalos, as hienas, os ratos etc.... É o sonho que leva a espécie humana a andar sempre mais um passo.

O silêncio da suposta oposição brasileira incomoda. Não porque nela se vejam modelos de cidadania. Consultem-se as informações sobre nossos representantes, dos cidadãos e das unidades federadas, e teremos quase nada para nos vangloriar. Nenhum deles está ali, no entanto, sem ter obtido o voto dos cidadãos. Importa pouco se para tanto muitos cometeram conhecidos e vituperados delitos. À Justiça Eleitoral lhes concedeu a legitimidade, por discutível que seja. Então, mesmo desprovidos das qualidades que os romanos antigos atribuíam a Licurgo, Péricles e Catão, àqueles eleitos cabem responsabilidades específicas e explícitas correspondentes ao nosso direito de deles cobrar. Tirá-los do silêncio, uma agressão contra os eleitores que deixa confortáveis aqueles sobre os quais deveriam manter conduta fiscalizadora e corretiva, é direito que não se tem exercido.

Atribui-se ao atual Presidente da República, por seu modo de ser, a dispensabilidade da oposição. Isso, porém, é apenas meia verdade. Porque não tenha rumo, seja incapaz sequer de diagnosticar os problemas afetos ao seu cargo, seja absolutamente desprovido da menor ideia sobre um projeto de nação, Bolsonaro justifica o exercício de uma oposição que mereça este nome. Não obstante, a timidez é a marca dos políticos detentores de mandato popular, que se chega a duvidar de que tenham alternativa diferente das que, atabalhoadamente, o governo põe em marcha. A oposição, em suma, revela-se como os zagueiros de futebol de várzea - batem a cabeça, enquanto o atacante do outro time faz gols.

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