Balbúrdia da boa

Enquanto médicos e cientistas dedicam-se ao tratamento de infectados pela covid-19 e à busca da vacina salvadora, as instituições de ensino superior públicas desdenham das ofensas produzidas nos gabinetes da ignorância e do ódio. Fazem-no, graças ao que aprenderam da Ciência e dos valores baseados em culto à vida, não à morte. Para professores, pesquisadores, técnicos e auxiliares das IFES pouco importa estarem desobrigados da frequência ao ambiente acadêmico. Mais vale manter seu compromisso com a saúde e a educação dos seres que, chamados semelhantes frequentemente têm essa condição desrespeitada. Não fosse assim, e tivessem como prioridade a exploração do trabalho alheio e os olhos fixos no movimento das bolsas, não seriam mais – nem menos – que aliados dos necrófilos da política. Isso torna possível mostrar, através da Associação Nacional dos Dirigentes de Institutos Federais de Educação Superior a expressiva contribuição ao combate à pandemia. Em maio, eram 853 os projetos de pesquisa sobre a covid-19, em execução; hoje, chegaram a 1.260, um acréscimo de 47% registrado no período de menos de dois meses. Somam 2.502 os leitos em unidades universitárias de saúde, sendo 656 deles montados em UTIs. As parcerias mantidas com Municípios (255) e Estados (112) têm levado serviços especializados às populações não apenas das capitais, mas do interior do País. Produziram-se, já, mais de 250 mil protetores faciais, mais de 100 mil máscaras de pano, quase 30 mil pares de luvas, mais que 20 mil outros equipamentos de segurança e proteção individual, 6.600 aventais, 2.000 capuzes, 10 mil toucas, além de expressiva quantidade de sacos de lixo especiais, sondas nasotraqueais, mais de 1 milhão de litros de álcool em gel e 1.000 litros de álcool líquido.

As informações divulgadas pela ANDIFES mostram o tipo de balbúrdia que ocupa professores e pesquisadores, técnicos e auxiliares nos estabelecimentos onde pessoas tomadas pela ignorância e hostis à vida e à Ciência veem fantasmas.

Basta que se deixe quem aprendeu nas escolas o que lhes foi ensinado trabalhar em paz, para oferecer aos problemas soluções que a ignorância e o ódio jamais alcançarão.

Déssemos à educação o prestígio necessário ao seu exercício criterioso, puséssemos na cabeça dos governantes o que eles não aprenderam (ou não tinham como fazê-lo, à falta de inteligência e discernimento), quem sabe a pandemia entre nós não acabaria por tornar-se uma gripezinha?!

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