Até o fim...

Diz-se que o diabo é velho, por isso sabe das coisas. Portanto,, não se veja ignorância ou insciência onde o capeta está. O ser humano, com o passar dos anos de sua vida, pode aproximar-se ou não do estado de sabedoria que se atribui ao diabo. A escolha é de cada um. Sempre haverá os que optarão pelo tinhoso, e parece que não são poucos. Seja qual for a razão, escolhem o que os seres que se fizeram mais humanos rejeitaram. Se escolheram, dentre os anjos – do bem e do mal – que habitam o que há de mais íntimo em seus seres, os piores, talvez comprometam a condição de sábio a que poderiam chegar. O caminho vai-se abrindo, a cada dia da vida de qualquer indivíduo. Sequer percebemos as encruzilhadas, cotidianamente postas diante de cada um de nós. O acúmulo de nossas escolhas, portanto, vai pavimentando nossa caminhada. E vai atribuindo – ou rejeitando – a condição de humanidade, acrescida muitas vezes de sabedoria. Outras, nem tanto...

Aqui e acolá, ainda que excepcionalmente, o candidato à sabedoria colhe uma surpresa, uma decepção. Como a dizer-lhe que a sabedoria, como sua irmã gêmea utopia, está mais à frente. Por isso, o homem prossegue, insiste, e insiste, insiste...até completar-se o seu saber – quando a vida fenece.

Leitor voraz, compulsivo e eclético, minha escala vai de gibis até livros de Filosofia. Em meio a tanto que há a ler, os jornais, seja a forma que tomem – impressa, virtual, televisiva, radiofônica. O trivial, porque o é, não chama a atenção. O eventual, às vezes escondido no mais longínquo canto de página, atrai-me. Leio-o, sem descurar de outras matérias, às vezes ocupando páginas inteiras e envolvendo pessoas que estimo de modo fraterno.

E, feita a leitura, tento ensinar a mim mesmo as razões por que o discurso é tão diferente das práticas, neste mundo que cede todo espaço à virtualidade, deixada de lado a realidade cruel com a qual somos forçados a conviver. Pessoas cuja generosidade é incontestável deixam-se levar por valores que acabam por colocar essa virtude no rol das hipocrisias tanto e tanto preferidas! Pergunto-me: o que leva pessoas bem-intencionadas e dotadas de condições intelectuais superiores a se deixarem confundir e a confundir os outros? A luta pela sobrevivência certamente não responde por isso. Detentoras de diplomas e de contribuições relevantes para a sociedade, por si mesmas assegurariam sobrevivência digna e meritória. Fosse realidade a meritocracia de que tanto se fazem apóstolos. Ou são os critérios dessa meritocracia que estão em jogo?

Quando grande parte dos melhores intelectuais e estudiosos do Mundo põem o dedo na ferida maior – a desigualdade –, alguns mencionam esse fenômeno como algo desimportante. Acabam por alinhar-se com os beneficiários desse estado desumano em que a sociedade anseia por melhor destino. Seus pensamentos abstraem tudo quanto não se possa expressar por números, incapazes que são de pôr em escala numérica os sentimentos e as necessidades que preenchem mente e coração de todos os indivíduos. É à condição humana que me refiro.

Nesses momentos me sinto distante da sabedoria que a idade me autoriza reivindicar. A despeito de tudo, persistirei, até que chegue meu dia...

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