As eleições e as análises

Aos poucos, vão aparecendo nos media análises menos inconsistentes em torno do resultado eleitoral. Ainda que persistam certos equívocos (talvez não apenas só isso), a percepção dos observadores se vai deslocando das máquinas calculadoras para o cenário político, suas nuances e possíveis possibilidades. O pecado mais grave, a meu ver, vem da mistura de siglas, quando se trata de situá-las no amplo e variado espaço do espectro político. Outro viés diz respeito ao reconhecimento de um campo chamado centro, criação fruto muito mais da preferência por mostrar-se neutro que da lúcida observação do movimento em que se envolvem políticos e suas respectivas siglas. Esse vício, é bom advertir, acabou chamando e registrando a expressão centrão, balaio onde cabem todas siglas antes chamadas de aluguel. São elas, não as outras, bem ou mal caracterizadas como esquerda e direita, as grandes vencedoras das eleições. Imaginar a existência de uma centro-direita ou uma centro-esquerda não faz mais que concessão ao que muitos veem como habilidade política, enquanto eu chamaria oportunismo político. Nesses dois (permitam-me chamar assim) pedaços, a prática tem sido a do murismo: de cima do muro vê-se melhor qual a direção do vento e para onde ele soprar dirigem-se os interesses, discursos e ações. Afinal de contas, boa parte dos profissionais do ramo veem o interesse público e o Estado ao qual caberia satisfazer tais interesses, não menos que farto pasto capaz de alimentar os mais nefastos apetites. Sérgio Cabral (e outros Sérgios) não nos deixam mentir. De qualquer maneira, vez por outra se têm encontrado análises menos obscuras, ainda que demasiado cautelosas, pois sempre haverá os que, na chuva, dela pretendem sair secos.

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