Arquivo que desaparece

As mortes inesperadas quase sempre impactam mais sobre os vivos que as mortes anunciadas. O cumprimento de uma das funções da natureza - dar fim ao que ela mesma criou - tem tido aceitação e resignação dos que ficam, cada dia maior. Entender a morte como fenômeno natural e inescapável, pelo menos por enquanto ajuda a viver melhor. Sobretudo se essa constatação leva o mortal a aproveitar melhor seus dias,como se todos dessem ouvidos à expressão carpem dies. Quando, porém, a morte toma sua presa de supetão, a reação é diferente. Para os médicos e os que cuidam da saúde das pessoas, é possível que sempre haverá a oportunidade e o meio de prolongar a vida humana. Para isso se empenham os cientistas, os inventores e os profissionais ligados à saúde e a muitos dos desvios que hoje se observam nas trilhas do conhecimento e da tecnologia. O que para muitos ainda agora parece impossível, a chegada ao momento em que a pessoa escolherá o momento de morrer é mera utopia. Para outros, como muitos cientistas em atividade, os avanços na ciência e na tecnologia levarão à imortalidade (ou à morte como decisão do indivíduo) já na metade do século XXI. É verdade que os vírus têm desafiado os mais probos e dedicados pesquisadores. Não só os vírus, ainda mais se considerarmos o reaparecimento de moléstias que se dava como erradicadas em amplas regiões do mundo.

De qualquer maneira, morte anunciada é diferente de morte inesperada. É deste segundo tipo o desaparecimento do ex-Secretário da Presidência da República, o advogado Gustavo Bebianno. Recentemente acolhido pelo PSDB, o coordenador da campanha de Jair Bolsonaro preparava-se para concorrer à Prefeitura do Rio de Janeiro. Em entrevista prestada à Globonews, Bebianno não conseguiu esconder as mágoas resultantes do que ele considerava ingratidão do Presidente. Esquecido, talvez, de que o próprio chefe do clã disse e repetiu, diz e tem repetido, que jamais deixará de dar razão ao "sangue do meu sangue". Pode o infarto que matou Gustavo Bebianno, em Petrópolis, na manhã deste sábado, resultar de seus desgosto. Seu amigo Paulo Marinho diz que sim.

Seja como for e pelo de que se tem conhecimento, ninguém pode rejeitar a hipótese de que a natureza se encarregou de tirar do caminho mais um importante arquivo.

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