Aos amigos... e também aos outros

Chamem-me, por favor

de esquerdopata!

não titubeiem, ao chamar-me

com presumível generosidade

de esquerdista

pelo menos desta vez

estarão aproximando-se

uma vez que seja

da verdade.


Usem os adjetivos a que

rendem reverência

com uma e exclusiva

solicitação:

tudo quanto disserem

há de qualificar minha preferência

pelos pobres, os sofredores

os que têm fome

os perseguidos porque pensam

e sabem dizê-lo

os que não desdenham da Ciência

os que à morte

preferem a Vida.


Peço-lhes, porém

jamais me chamar

de genocida.

Outros têm feito

por merece-lo

não é a presença deles

que me conforta

como a ninguém confortará

se não for pedir demais

somem ao meu

mesmo se lhes custa

encontrar dentro de

si mesmos

o desprezo que lhes dedico


Nem lhes peço

porque ignoro

dediquem o mesmo asco

que meus sentimentos

nutrem pelos necrófilos




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Da morte e dos seus tipos As cargas são diferentes talvez Caronte não o saiba nem saber lhe interessa não faltarão valquírias sedutoras à satisfação do Cérbero faminto Jet-sky não transporta cadáveres

Permanecem no ar ruídos e sentimentos deixados na cara de um negro sobre tapetes vermelhos tingidos da cor por pouco não liberada de um rosto agredido uma piada mal posta sendo a luva que armou a mão

Ah, não fosse dado ao homem viver tanto... se não tivesse olhar atento sempre pronto não veria desfilar diante de seus olhos quanta coisa a doer na alma ferir o corpo machucá-lo dispensável pranto enq