Ao mestre, com admiração, respeito e carinho

Marcelo Seráfico

Porto Alegre, 29 de março de 2022

Há pouco mais de um mês, no dia 23 de fevereiro de 2022, a Associação Nacional de História – AM homenageou o historiador e filósofo Aloysio Nogueira, professor da Universidade Federal do Amazonas desde maio de 1970. Mestre de muitas gerações, o Prof. Aloysio tem contribuído para a formação de estudantes de várias áreas do conhecimento e de militantes comprometidos com a luta por justiça social e democratização da sociedade, Dentro e fora da universidade, fez de sua prática uma atividade didática, exemplar, para mostrar como o pensamento é fruto de nossas relações e a elas se refere como ação transformadora. Sua práxis, expressa na trajetória de professor e militante, é ela mesma pedagógica. Sereno, crítico e atento às questões públicas e às inquietações dos que frequentam suas aulas e palestras, esteja onde estiver, faz de sua palavra fonte de reflexão, meio de apresentar problemas e sugestões de como lidar com eles. Em texto apresentado no evento que o homenageou, o professor relatou momentos importantes de sua densa e rica trajetória acadêmica e política. Como é de seu feitio, o fez em tom sóbrio e pedagógico. Despido de vaidade e reforçando princípios teóricos e práticos norteadores de sua conduta, o mestre aproveitou a justa e oportuna homenagem da Associação Nacional de História - AM para ensinar através do exemplo. No texto, convoca ao diálogo Karl Marx e Marcia Tiburi, para nos lembrar de duas circunstâncias que caracterizam a temporalidade de nossa existência coletiva e individual: a primeira delas é que não fazemos a História e nem a nossa história como gostaríamos, mas sim a partir de condições que recebemos das gerações passadas; e a segunda circunstância diz respeito ao fato de que, apesar desse “peso do passado”, sim, podemos fazer escolhas que nos levam a produzir a História e a nossa história a partir da compreensão racional das relações sociais e de compromissos políticos norteadores de nossa conduta individual. Isto é, a História abre as portas do presente para a ética e a política. Ao narrar sua própria trajetória em diálogo com um pensador-militante do século XIX e uma pensadora-militante do XXI, o Prof. Aloysio nos provoca a também refletir sobre nosso lugar nas relações, processos e estruturas sociais que, vividos hoje, serão História amanhã. Ele nos instiga a reconhecer em cada um de nós a possibilidade de construir para si uma consciência do mundo; consciência essa que nos situa no tempo e no espaço nos quais entabulamos as relações sociais que nos constituem como indivíduos; indivíduos cuja busca por esclarecimento se origina de lutas travadas no e em torno do presente, mas cujas origens são pretéritas e precisam ser compreendidas; e precisam ser compreendidas porque nos servem de referência para as escolhas a fazer, para definir os compromissos a assumir e os ideais pelos quais lutar. A vida do prof. Aloysio é emblemática de um tipo de inserção na vida social e de relação com o conhecimento que faz com que agir e pensar, prática e teoria, se convertem em ação transformadora. Sendo professor e militante, a transformação se opera dentro e fora das salas de aula, mas seu sentido é um só: enfrentar os grupos, camadas e classes sociais que bloqueiam a democratização da sociedade, que impedem à classe trabalhadora o acesso às conquistas por ela mesma produzidas. Assumir esse compromisso implica aguçar a sensibilidade, potencializar a solidariedade e engajar-se nas lutas do presente. Mas para isso é necessário cultivar a dignidade e a integridade pessoais. O Prof. Aloysio Nogueira combina, em sua práxis, essas qualidades fundamentais para quem quer que faça da conduta individual poderosa arma na luta coletiva por uma sociedade justa e igualitária. Têm sorte os que podem se beneficiar diretamente de seus exemplos e ensinamentos. Obrigado, Prof. Aloysio Nogueira, e parabéns à ANPUH-AM pela bela iniciativa

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